Crítica | Lope | Poesia sucumbe ao melodrama melodrama

Félix Lope de Vega foi, ao lado de Calderón de la Barca, o principal autor do Século de Ouro espanhol, fase em que os dramaturgos mantiveram conexão com a temática religiosa sem que isto restringisse o alcance e o valor artístico de suas obras. Se Calderón ainda é lembrado no Brasil por eventuais montagens de A vida é sonho, Lope vem sendo injustamente esquecido. Por isso, nada mais oportuno que um filme sobre a trajetória desse autor, que escreveu uma quantidade inacreditável de textos. 

A produção dirigida por Andrucha Waddington traz à tona algumas informações sobre Lope de Vega e o período teatral no qual esteve inserido, marcado por certa tentativa de aproximação entre arte e vida, e pela mescla dos procedimentos da tragédia e da comédia, prática inadmissível para os dramaturgos do classicismo francês. Entretanto, o diretor acaba centrando seu foco numa espécie de melodrama romântico sobre um homem (Lope, no caso, interpretado pelo ator argentino Alberto Ammann) dividido entre duas mulheres (papéis das atrizes espanholas Pilar López de Ayala  e Leonor Watling), mais ou menos hesitantes no embate com as convenções sociais.

A figura de Lope se torna quase aleatória nessa produção bem cuidada e vistosa, que conta com as participações dos brasileiros Sonia Braga e Selton Mello.