Quase no altar

Americanos estão cada vez mais perto de conquistar o direto do casamento entre pessoas do mesmo sexo

O ano de 2010 foi de muitas conquistas para os gays americanos. Agora, o casamento homossexual está próximo de ser aceito em mais uma boa fatia do país. Hoje em dia, apenas cinco estados dos Estados Unidos, além do distrito de Columbia, reconhecem a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Mais de cem anos depois da Proclamação de Emancipação, negros americanos ainda lutavam para ter tratamento igual em escolas, no trabalho e na política. Para os gays, que têm uma vantagem de ter um grande número de eleitores, foram apenas quatro décadas desde que os movimentos organizados começaram, em Greenwich Village, Nova York, depois de um visita de policiais a um bar gay local. 

– Nos últimos seis anos, tivemos grandes vitórias em relação à proteção legal, o reconhecimento de nossas famílias e de personalidades homossexuais – analisa Tim Sweeney, diretor executivo da Gill Foundation, ONG que luta pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. 

Conquistas em 2010

No ano passado, o Pentágono começou a desmantelar a política do “Não pergunte, não fale”, permitindo que homens e mulheres assumidamente homossexuais se alistem nas forças armadas. Apesar do recente progresso, a opção sexual continua sendo problema para pessoas como Geoff Guth, dispensado do exército depois de revelar sua sexualidade.

– Fiquei muito feliz quando o congresso revogou esta política, mesmo que eu não tenha aproveitado esta liberdade – conta. 

Mas o tratamento ainda não é igualitário: segundo Guth, os parceiros homossexuais não recebem os amplos benefícios que as esposas dos combatentes recebem.

Em junho, a empresa Google anunciou que trataria da mesma forma os funcionários que fossem casados com pessoas do mesmo sexo, estendendo à suas famílias os benefícios como plano de saúde, seguro de vida, entre outros. 

Kim Harris, companheiro de Bennet Marks, funcionário da empresa, ganhou direito ao plano de saúde. Enquanto isso, Marks recebeu um aumento de salário, para compensar gastos com alguns impostos que casais heterossexuais são isentos.

Os progressos continuam em 2011. Na última semana, a administração de Barack Obama anunciou que não irá mais defender a constitucionalidade do Ato de Defesa ao Matrimônio (DMA, na sigla em inglês), lei que barra o reconhecimento de uniões entre homossexuais. 

O secretário de Justiça, Eric Holder, disse em coletiva de imprensa que Obama concluiu que seu governo não pode defender uma lei carregada de preconceitos como esta.

Outro passo pela causa foi dado no último dia 14, quando foi comemorado o Dia dos Namorados nos Estados Unidos. O senador Pat Steadman, do Colorado, casado há 10 anos com David Misner, apresentou um projeto de lei para permitir o casamento entre gays. 

– A década de 90 foi de transição, quando fomos da crise da Aids para leis contra a discriminação. Este foram passos importantes, mas acabamos sendo vistos como pessoas fracas, vulneráveis – afirma.

Para Steadman, o movimento ficou mais maduro na década de 2000.

– Os gays não são mais vistos como vítimas. Hoje sabe-se que temos os mesmos problemas que todo mundo. Queremos servir ao exército, proteger nossos filhos e nossa propriedade – diz o senador.

Para a advogada Fran Simon, o reconhecimento de sua união com Anna, sua parceira há oito anos, seria a realização de um sonho. As duas fizeram uma cerimônia no Jardim Botânico de Denver, sabendo que não seria reconhecida legalmente.

Advogados citam diversas razões para a mudança da opinião pública para com a comunidade gay, mas uma delas é predominante. 

– Esse mar de mudanças se deve muito ao fato de as pessoas se assumirem cada vez mais. É mais fácil ser contra uma causa quando não conhecemos alguém que amamos que lute por ela – diz Brad Clark, diretor do One Colorado, que advoga pela igualdade dos gays.

Uma pesquisa encomendada pela One Colorado em 2010 mostrou que 70% dos habitantes do Estado conhecem pelo menos um homossexual.