Próxima parada: espaço

Empresas farão voos comerciais, que ajudarão nas pesquisas científicas

Se tudo sair como o planejado, turistas estarão embarcando para o espaço em 2013, a bordo da nave espacial Virgin Galactic. O passeio de quatro minutos custará 200 mil dólares aos bolsos dos passageiros.

Mas os maiores beneficiados com este avanço tecnológico não serão os curiosos de plantão. Cientistas, talvez até mais que os turistas, podem acabar se tornando grandes clientes de empresas como a Virgin e XCOR, que se preparam para oferecer, diariamente, passeios curtos a uma altitude de 100 quilômetros - altura que marca a entrada no espaço.  

Isso poderá finalmente dar aos cientistas pronto acesso ao espaço. Eles poderão fazer a viagem com mais frequência e a um preço reduzido.

– É quase impossível fazer experimentos em estações espaciais hoje em dia – diz Mark Shelhamer, professor de Medicina da Universidade Johns Hopkins, na Califórnia. Ele tem um projeto de estudar o equilíbrio e outras habilidades motoras das pessoas antes e depois da viagem ao espaço.

A passagem de 200 mil dólares é muito cara para a maioria da população, mas o Dr. Alan Stern, vice presidente do Instituto de Pesquisa de Ciências Espaciais do Colorado, considera o preço uma barganha. 

– É barato, se considerarmos os milhões de dólares que agências governamentais como a NASA normalmente gastam para fazer seus experimentos no espaço. Estamos próximos de um fato realmente transformador – analisa.

Um dos experimentos do instituto de Stern visa analisar as batidas cardíacas, pressão arterial e outros aspectos físicos dos cientistas durante o voo. 

O pesquisador anunciou, na última segunda-feira, que já fez reservas para a ida ao espaço de dois cientistas de seu instituto, pela aeronave Galactic, da Virgin. Ele ainda pretende comprar mais seis passagens, totalizando uma quantia acima de 1,6 milhões de dólares.

A XCOR, outra empresa que investe no ramo, será forte concorrente da Virgin, pois pretende cobrar 95 mil dólares por pessoa pelo passeio à bordo da Mojave, que acomoda duas pessoas por voo: o piloto e um passageiro. 

Ainda não se sabe quando os cientistas e os demais passageiros chegarão ao espaço, pois nenhuma das empresas informou o dia exato do início dos voos comerciais. Mas outras informações já foram divulgadas: a Virgin anunciou que a aeronave SpaceShipTwo – que abrigará seis passageiros – fará uma ou duas viagens por dia. Já a Lynx, da XCOR – com limite para duas pessoas – poderá fazer até quatro viagens diárias. 

Os testes da empresa Virgin já estão em andamento, enquanto a XCOR pretende começar seus voos experimentais até o meio deste ano. 

Duas outras companhias, a Blue Origin – do fundador da Amazon.com, Jeff Bezos – e Armadillo Aerospace também estão desenvolvendo aeronaves para voos turísticos. 

As aeronaves comerciais serão projéteis lançados para o espaço e que, depois, cairão de volta à Terra, longe de atingirem os 28 mil quilômetros por hora necessários para atingir a órbita. Por isso os passageiros poderão voar por no máximo por alguns minutos. 

Este tipo de voo ajudará em pesquisas como a de George Whitesides, presidente do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, no Texas. Ele foi o primeiro cliente da Virgin, e já fez um depósito para 400 viagens - cerca de 80 milhões de dólares. Seus experimentos necessitam de apenas alguns minutos de gravidade zero para serem testados. Para ele, os voos comerciais para o espaço funcionarão tanto quanto um voo em uma nave espacial da NASA, o que sairia  muito mais caro. 

– Além de baratear, poderemos fazer, anualmente, diversas viagens. Hoje, temos a oportunidade de fazer isso no máximo uma vez por ano.

Ele atenta para a importância de não se misturar passageiros comuns com cientistas no mesmo voo. Segundo ele, a viagem compartilhada poderia resultar em um experiência desagradável para ambas as partes.

– Os objetivos são completamente distintos. Um turista pode ser uma distração desnecessária para nós, enquanto cientistas não seriam bons companheiros de viagem, pois a experiência não será uma novidade para eles – analisa.