Editorial: O estupro é um problema mundial de saúde pública

Enquantoa mulher segue conquistando seu espaço nas mais diversas áreas, e nos mais diversos pontos do planeta, o estupro, esse crime bárbaro, típico de indivíduos que ainda não saíram da Idade da Pedra, também segue seu curso na história humana.

Conforme mostrado aqui, neste Jornal do Brasil, em reportagem publicada ontem, o estupro é o pior pesadelo das mulheres do Congo, país rico em potencial, mas miserável na prática, localizado no centro-oeste da África.

Mais abaixo, a África do Sul lidera o ranking do estupro mundial, já que, por lá, o sexo não consentido não é considerado crime e, pior, há até o costume do “estupro corretivo”, castigo imposto às lésbicas.

Mas esse não é um problema típico das nações menos desenvolvidas: nos Estados Unidos, onde blogueiros pipocam na internet culpando a jornalista inglesa Sara Logan, pelo estupro sofrido no Cairo, em plena manifestação contra o ditador Hosni Mubarak, as mulheres são vítimas desse crime até nas Forças Armadas.

No Brasil, ainda que a Lei 12.015 estipule pena de até dez anos para o estuprador, o problema vem crescendo, enquanto a faixa etária das vítimas cai: em Minas, a de maior incidência no ano passado, foi a de zero a 12 anos, e as vítimas de sexo masculino equivalem a 25%.

É urgente que o país invista muito em campanhas educacionais para o povo – nas escolas e na TV – e para os profissionais ligados ao problema: policiais, médicos, psicólogos e até juízes. Esta, afinal, é uma questão de moral e de saúde pública.