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Estudo diz que notebooks vão vender 7,5 milhões de unidades e bater desktops, pela primeira vez no Brasil

Uma nova tendência no mercado brasileiro aponta para o aumento de 300% nas vendas de tablets, segundo estudo feito pela consultoria IDC, uma das mais respeitadas do ramo no mundo. E não é só isso. As vendas de notebooks e netbooks devem superar as de desktops. De acordo com a pesquisa, 51% dos 15,7 milhões de computadores que serão vendidos até o final de 2011 serão portáteis.

– Os notebooks são os computadores do futuro – diz o Reinaldo Roveri, gerente de pesquisas do IDC. Para a empresa, 2011 será o começo da década da mobilidade no Brasil. – O notebook passará a primeira escolha do consumidor doméstico. 

Os números da pesquisa mostram como os computadores portáteis ganharam a preferência do consumidor brasileiro em pouco tempo. Em 2005, notebooks representavam apenas 5% das vendas no país, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Adeptos

A mobilidade dos notebooks é o principal atrativo para um público cada vez mais exigente. E a busca por equipamentos mais e mais portáteis, também tem influenciado a procura pelo smarphone, aparelho de celular com os mesmos aplicativos originalmente desenvolvidos para computadores. 

Segundo o IDC, 2,6 bilhões de smartphones estarão em uso no mundo inteiro em 2020, contra 1,6 bilhão de computadores. 

– Trabalho com informática já há uns seis anos e nunca tive um desktop em casa – confessa o analista de sistemas Daniel Salles, de 28 anos. – O ritmo da vida de hoje faz com que fiquemos cada vez menos em casa. O notebook ou o netbooks oferecem muito mais liberdade. 

Apesar do grande apelo diante do público mais jovem, os notebooks e netbooks também já ganham adeptos entre as pessoas de mais idade.

– Não saio muito de casa, mas o notebook é muito mais prático. Não gosto da bagunça que um “grandão” deixa em casa, cheio de fios expostos e sempre atrapalhando a decoração de algum cômodo – reclama a aposentada Fátima Jesus, referindo-se aos desktops. – O notebook eu posso guardar depois do uso, além de poder levá-lo para qualquer lugar da casa. 

A sensação de privacidade dos notebooks também é um dos fatores que atrai usuários para a plataforma. 

– Quando você tem um desktop, mesmo que seja no seu quarto e não na sala, dá a sensação de que ele pertence a toda a família –  diz a administradora turística Deborah Rufino. – Meu laptop, dentro do estojo em cima da cama, parece que é só meu.

Desvantagens

Mesmo angariando cada vez mais fãs, o notebook ainda encontra quem resista à sua popularidade. Apesar de custar quase o mesmo que um desktop, a dificuldade para fazer um upgrade da máquina, além dos e consertos bem mais caros reduzem a aceitação do aparelho. 

– Não sou pró nem contra notebook, a escolha depende da necessidade de cada usuário. Mas os notebooks são bem mais difíceis e, às vezes, sequer suportam um bom upgrade – ressalta o analista de sistemas Orlando Camargo. – Por isso, vejo os notebooks como mais descartáveis. 

Adeptos de jogos eletrônicos e profissionais que lidam diariamente com tecnologia de ponta, como designers gráficos e usuários de pesados programas de engenharia, também acenam com os desktops. 

– Tenho amigos que se dão ao luxo de ter só um notebook em casa, mas não é o meu caso – explica a engenheira Aline Gomes. Usuária do Petrel, software que faz simulações sísmicas de exploração do petróleo, ela teme as limitações dos notebooks. – Os programas que uso são atualizados anualmente e são muito pesados. Não posso comprar um notebook a cada nova versão, seria jogar dinheiro fora.