Arte inclassificável

Em Coelho branco sobre branco , preocupou-se com a criação de uma estrutura rigorosa e contrastante, sem que isso signifique cristalizar o trabalho do ator.

– Dividi o espetáculo em dois – assinala. – No primeiro ato é o solo mudo, comandado, porém, por uma narração em off, a voz do dono do circo, a minha própria voz. A certa altura, o Coelho se rebela contra seu algoz e mata o dono do circo. Matar o dono do circo pode ser lido como várias coisas: matar o pai, Deus, o autor, a moral e o discurso correntes. A partir desse momento, Pedro surge na peça como ele mesmo. Ouvindo-o falar, e conhecendo-o bem, fui escrevendo o texto que faria sentido na boca dele. Então, eu me apropriei do Pedro enquanto material humano, elaborei enquanto linguagem e o reintroduzi na peça.

Como se não bastasse toda essa agitação, em abril, Anticlássico volta ao Rio, no Espaço Cultural Sergio Porto, acompanhada de uma exposição, com vídeos, trabalhos fotográficos e o filme A verdadeira história da bailarina de vermelho , que assina ao lado de Samir Abujamra.