Heloisa Tolipan Heloisa Tolipan

“Não gosto de explicar a coleção. Prefiro que cada um dê sua interpretação”. É esse lema que André Lima segue, mas, simpático que só, falou com a gente sobre seu Inverno. “Antes, eu era conhecido pelas estampas e pela fluidez. Depois, passou a ser pela construção – e quando eu digo isso, falo do que vai dentro, o que dá a forma, a arquitetura. Essa coleção tem a construção e a desconstrução com bases em alfaiataria e laços que vão se desmanchando”, contou. Entre uma frase e outra, André checava os detalhes do vestido preto longo cheio de movimento que a modelo Drielly Oliveira provava. “As agências ficam loucas comigo porque faço, no mínimo, três provas de roupa”, avisou o estilista, que prefere modelos sorridentes. “Parece que essa nova safra de modelos não sabe sorrir. Ficam tão engessadas!”, sentenciou. Por mais incríveis que os vestidos e macacões desfilados fossem, as cabeças feitas pelo stylist Davi Ramos marcaram o desfile. Os acessórios marcantes são feitos totalmente por Davi, que recebe apenas dicas do que o estilista gostaria de ver. A partir daí, fica tudo a cargo dele. “Gosto de misturar coisas que teoricamente não deveriam estar juntas”, disse André. Se um vestido de lamê dourado devoré não deveria estar na mesma passarela que um com mangade ares orientais? Imagina! Garantimos que tudo ali estava no seu devido lugar. André arrasou mais uma vez.

2011.