Heloisa Tolipan

Enquanto o Capital Inicial cantava no Palco 2011, Otto dava outro ritmo à Concha Acústica, repleta de fãs fieis. Vestindo sua boa e velha bata branca, o pernambucano lembrava a todos ali presentes que o dia era de Iemanjá. Aliás, soubemos que o cantor aproveitou a estadia em terras baianas para ir à festa em homenagem à Rainha do Mar, que rolou mais cedo. “Cheguei a essa manifestação popular às duas da tarde e entrei de cabeça. Fiz minha oferenda e tudo. Estou até com o corpo meio dolorido, acredita? Não é todo dia que podemos ver uma festa de um povo assim. É um prazer me misturar dessa forma”. Quando se trata de cultura brasileira, o cantor mostra que é a cara do Festival de Verão.

Quem viu Otto embalar o público com seu jeito particular de cantar ciranda, teve certeza de que aquele era mesmo seu lugar : “Estar em Salvador é sempre incrível, principalmente em um festival com essa temática de cultura e diversidade. Só de entrar você já se sente maravilhosamente baiano”. Com planos para lançar o cabalístico CD The moon , no dia 11 de novembro de 2011 (o álbum já virou tatuagem nos dedos de Otto) será que ainda sobraram outros pedidos a serem feitos à Iemanjá? “Que o ano seja excelente para o Brasil, com justiça para o nosso maravilhoso povo e saúde para todos. E, quanto a planos, apenas viver, é a minha lei”, decretou o cantor.

Que seus desejos sejam ordens, Otto! Capital Inicial Quem via o modelito sem camisa de Dinho Ouro Preto no Palco 2011 do Festival de Verão saia com a certeza de que não é preciso ter o físico do Léo Santana para fazer o público baiano sair do chão: “Às vezes o Brasil parece dividido demais em etnias e espaços.

Mas uma coisa une todos os nossos tipos: a música!”, dizia Dinho, enquanto ouvia o povo cantar em coro seu famoso rock da Ana Paula que virou Natasha. Sim, tem rock na Bahia! “Rock aqui nessa terra pega para caramba. Olho para todos os outdoors de Salvador e só vejo mensagens ligadas a música. Acaba sendo um ciclo virtuoso que dá rock n’ roll”, disse animado. Aproveitamos os anos de estrada que o Capital tem nas costas e perguntamos a opinião dos rapazes sobre o rumo que o rock tem tomado: e a febre das bandas coloridas? “Existe um universo imenso dentro do rock e acho que essa frente dos coloridos anda separada do nosso tipo de música. Eles têm uma coisa meio Disney. Mas, sem dúvidas, há espaço também para isso. Na verdade, gostaria mesmo que o pessoal do rock entrasse de cabeça na cultura brasileira, como o maracatu e o samba, por exemplo. Talvez isso já esteja acontecendo”. Para encerrra... O que a banda está preparando para, mais uma vez, cantar no Rock in Rio? “Teremos de ser criativos para não deixarmos a desejar diante dos grandes palcos e da estrutura que as bandas estrangeiras pretendem trazer.

Nem falo em termos financeiros, mas acho que a originalidade é sempre o melhor trunfo!”.

Com Marina Cohen e Beatriz Medeiros.