Caça às bruxas

Governo tem tentado regular informações A organização Repórteres Sem Fronteiras afirma ter recebido dezenas de queixas de violência contra a imprensa local e internacional no Egito. Tala Dowlatshani, uma porta-voz do grupo, disse esperar que mais jornalistas estrangeiros sejam alvos de agressões.

Os ataques foram relatados pela rede de televisão árabe Al Jazeera, pela americana CNN e por usuários do Twitter, no momento em que começaram os confrontos na praça, também conhecida como Praça da Libertação. As reportagens foram publicadas assim que o acesso à internet foi reparado, pela primeira vez desde a semana passada.

Hala Gorani, outra correspondente da CNN, também relatou ter sido ameaçada por aparentes partidários de M u b a ra k .

De acordo com os Repórteres Sem Fronteiras, pelo menos um jornalista foi preso, o belga Serge Dumont. Depois de ter sido atingido no rosto por um homem, Dumont foi acusado de espionagem e levado para um posto militar.

Outros relatos sobre ataques violentos a jornalistas foram divulgados na última quinta-feira. Christiane Amanpour, da ABC News, afirmou que ela e sua equipe foram cercados por um grupo agressivo enquanto tentavam filmar de uma ponte.

– Eles chutaram as portas dos carros e quebraram nosso para-brisas enquanto tentávamos nos afastar – conta A m a n p o u r. Estratégia A televisão estatal egípcia mostrou ontem, pela primeira vez, imagens da Tahrir Square, dando enfoque aos partidários de Hosni Mubarak e a cenas de conflitos armados nas ruas. O objetivo era evidentemente pintar uma imagem violenta dos protestantes anti-regime.

– Esta é claramente uma estratégia da mídia que está sendo implementada – diz Tala Dowlatshahi. – A rede de televisão controlada pelo governo egípcio exibia até ontem novelas e programas de culinária.

O governo tem procurado controlar as informações desde que os grandes protestos contra Hosni Mubarak e seus subordinados começaram, no mês passado. Mas a maioria das tentativas de controlar as imagens e as narrativas de Cairo falharam.

– O governo egípcio está usando uma estratégia de eliminar quem testemunha suas ações com uma série de ataques deliberados a jornalistas afirma Mohamed Abdel Dayem, do Comitê de Proteção ao Jornalista.