Heloisa Tolipan

O caso mais hilário que Daniela Thomas já presenciou em todos esses anos em que assina a direção de desfile e cenário da Maria Bonita, na São Paulo Fashion Week, ocorreu na tarde de segunda-feira. Faltavam minutos para o início do desfile, quando um produtor entrou alucinado no backstage e mandou: “Gente! Cadê o cenário? Só tem tapume!”. Com seu jeitinho compenetrado e os óculos no meio do nariz, Daniela explicou ao desavisado: “Este é o cenário, meu amigo. Vamos usar a música Cons trução , de Chico Buarque ”. Ah, tá.

Nessa temporada, a Maria Bonita foi até Brasília para falar da gente de todo o país. “Faz parte do DNA da marca falar do Brasil, e dessa vez, nos inspiramos nos candangos que construíram a capital federal. Ao mesmo tempo em que usamos cores como o cinza, do concreto, e o terra, que tem a cara da cidade, também focamos nas pessoas, no lado mais delicado da grande obra que foi construir uma cidade no meio do cerrado”, nos contou Rosa Grossman , a voz da estilista Danielle Jensen . A obra do artista plástico Athos Bulcão, que está em diversos pontos de Brasília, também foi lembrada nas peças com azulejos ou a cerâmica sobre a malha levinha. “A malha é o principal material, justamente por ser simples e popular, assim como os tênis”, continuou Rosa.

Os acessórios eram um show à parte: havia carteiras de marmita e bolsas que se misturavam às roupas, em vestidos e paletós-bolsa. “Os candangos estavam sempre viajando e precisavam ter uma mala ou uma bolsa por perto. Foi daí que tiramos a ideia de incluir a sacola na roupa”, disse Rosa. Espera aí, o que é aquilo pendurado no meio da cintura? Uma pochete! Mas é tão charmosa que dá para pensar em usar. Ainda mais se ela estiver passeando pela passarela ao som de Chico Buarque.