Heloisa Tolipan

escravinha para fazer acessórios no meu ateliê!”, riu-se o estilista.

Como o desfile não pode atrasar, a tropa da cultura correu para a sala. No final da apresentação, que encantou a todos, perguntamos à ex-candidata à presidência o que ela achou da coleção de Inverno, batizada Athos , em homenagem ao artista plástico que morreu em 2008 e deixou um legado em diversos prédios e locais ao ar livre de Brasília. “Tudo estava muito bonito.

Foi um encontro de duas formas de arte: a que embeleza Brasília e a que embeleza as pessoas. Moda não é só tecido, é significado, e Ronaldo se destaca no meio por fazer isso muito bem.

É a diversidade que faz a moda ser rica”, disse Marina, antes de completar: “Ronaldo sempre usa renda de comunidades pequenas que não conseguem mostrar o seu talento e isso é maravilhoso, porque ele não só alimenta o seu trabalho, como alimenta as raízes para que elas continuem dando frutos. O Brasil é muito diverso e a moda tem o poder de transformar o intangível em tangível”.

Cultura esta que tem um faturamento de US$ 50 bilhões/ano. Depois de um domingo recheado de celebridades internacionais e super modelos, segunda-feira foi dia de falar sério. Para encerrar, selecionei uma frase de Ronaldo Fraga sobre Athos Bulcão, que mostra como devemos valorizar a simbiose entre arte, arquitetura e moda: “Singular e múltiplo, ele desenhou através de sua obra um Brasil moderno, contemporâneo e independente das tendências internacionais. É difícil imaginar Brasília sem seu olhar otimista e bem-humorado. O homem que deu cor, vida e humor à cidade idealizada por Juscelino Kubitschek e Lúcio Costa morreu aos 90 anos como um desconhecido para a maior parte dos brasileiros, deixando quase 200 obras espalhadas pela capital do país”. Se esta frase doeu em você, faça sua parte pela nossa arte, pela nossa moda, pela nossa cultura.