Heloisa Tolipan

Quando entramos no backstage para conversar com Ronaldo Fraga , o estilista estava tão calmo que, minutos antes de seu desfile, estava no estúdio de TV em entrevista para o programa Roda Viva. Ele foi o convidado de Ma rília Gabriela e sua equipe no programa de segunda-feira. “Tenho um problema... Depois de um tempo, esqueço que estou sendo entrevistado e acabo falado bobagem!”, brincou Ronaldo. A aparente calma (“Sou o falso tranquilo. Rio muito quando estou nervoso”) foi justificada por uma ótima frase: “Tudo pode dar errado, inclusive nada”. A julgar pelas ilustres convidadas que estavam prestes à chegar, tudo daria certo. Ronaldo levou a obra de Athos Bulcão para a passarela e Brasília para os bastidores da SPFW: a nova ministra da Cultura, Ana de Hollanda , em um vestido da Maria Bonita Extra e com uma bolsa de capim dourado no Jalapão; o presidente da Funarte, Antônio Grassi ; e a senadora Marina Silva , em seu último dia de mandato. Todos mostraram que moda não é mais considerada futilidade. “A moda é um negócio fértil, muito importante para a economia e que leva o nome e o talento do Brasil para fora”, disse a ministra, para ser completada, em seguida, por Paulo Borges : “Estamos em um momento importante para a moda. Há 30 anos, tudo isso era considerado supérfluo. A moda nunca foi pensada como um negócio que move a economia”, disse o diretor da maior semana de moda no país.

A novidade mais importante para o mercado, segundo a ministra, é a criação da Secretaria da Economia Criativa, que atenderá também ao design e à arquitetura. Depois da inclusão da moda no Plano Nacional de Cultura, com o Colegiado Setorial de Moda do Conselho Nacional de Política Cultural sendo capitaneado por Ronaldo Fraga, a Secretaria vai desenvolver e incentivar o mercado. “Estamos apenas começando”, avisou a ministra.

Ronaldo ressaltou quais devem ser as diretrizes: memória, capacitação, divulgação e pesquisa. “O país precisa Ronaldo Fraga flerta com Brasília.