De volta ao batente

Congresso pulverizado com mais de 20 partidos pode ser vantajoso O diretor de Documentação do Departamento Intersindical e Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz, entende que a pulverização do Congresso, que nesta legislatura conta com a representação de mais de 20 partidos, poderá fazer com que os trabalhos sejam conduzidos de maneira mais coesa. Graças ao entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o mandato pertence ao partido, não ao parlamentar.

– Isso poderia significar uma completa anarquia em eleições anteriores.

Mas, graças ao entendimento do STF, os trabalhos se darão de modo mais organizado, com conteúdos mais pragmáticos – prevê.

A ausência de antigos caciques da política que não se candidataram ou não conseguiram se eleger, como Arthur Virgílio (PSDB-AM), poderia ser vista como uma menor qualificação do Congresso. Mas, para Queiroz, o fato de a presidente Dilma Rousseff não ter a mesma popularidade do ex-presidente Lula fará com que mais parlamentares tenham a oportunidade de se aproximar dela, revelando novos líderes.

Clima para votar O cientista político da UnB Davi Fleischer observa que o ano legislativo começa com algumas polêmicas: o percentual do novo valor do salário mínimo e a estagnação dos aeroportos, quase às vésperas da Copa do Mundo de 2014, além da reforma política, que ele acredita ter clima para ser aprovada em 2011.

– Usualmente, essas reformas mais dolorosas são aprovadas em anos ímpares, quando não há eleição. Mas tem que achar uma fórmula para acalmar a ansiedade dos deputados, que se sentem inseguros quanto à reeleição, que é o objetivo maior do parlamentar – completa, sem ter a mesma esperança com relação à reforma tributária.

Fernando Weltman, cientista político da FGV, avalia que a grande missão dos parlamentares é buscar a transparência da Casa, por meio da também prometida reforma administrativa.

– O Congresso tem que ter noção de que a imagem deles é tão importante quanto o que eles fazem – defende. – É preciso estabelecer um bom diálogo com a sociedade e, principalmente, com os meios de comunicação.