Policiais até zombam das cenas de crimes

Mas os traficantes não discriminam. Hermila Garcia, 38 anos, depois de ser nomeada chefe de polícia de Meoqui, que fica no centro do estado de Chihuahua, um dos mais violentos do país, foi morta no dia 30 de novembro, apenas um mês após assumir o cargo.

Dias antes, Erika Gandara, 28, sobrinha do prefeito de Guadalupe e recentemente nomeada chefe de polícia local, foi sequestrada por um grupo de homens armados e não foi vista desde então.

– Eu disse a Erika para tomar cuidado e não dar bandeira – conta Archuleta, prefeito da cidade.

Envaidecida com o posto, Erika convocou a imprensa local, pouco antes do Natal, e posou para fotos exibindo um rifle semiautomático. A jovem estampou as páginas dos jornais locais: “Eu sou a única polícia desta cidade, a autoridade”.

Cidades reféns Pequenas cidades mexicanas estão em um território disputado por pelo menos duas gangues principais do tráfico, de acordo com relatórios de segurança do governo.

– O impacto é muito forte em pequenas cidades e vilas – afirma Daniel M. Sabet, professor visitante da Universidade de Georgetown, que estuda políticas públicas do México. – O crime organizado facilmente ultrapassa as barreiras e controla as cidades.

Segundo o governo local de Guadalupe, quase a metade dos 9 mil moradores partiu da cidade, deixando para trás casas e empresas destruídas. Recentemente, quatro casas foram atacadas e duas pessoas foram assassinadas a tiros.

Moradores contam que são poucos os habitantes que saem de suas casas depois das cinco horas da tarde. Os soldados e policiais só são vistos depois de ocorridos os crimes, ou então quando vigiam a entrega mensal dos cheques do governo para os aposentados.

O prefeito da cidade, Archuleta, adianta que talvez seja melhor não ter uma polícia local.

– Por causa do medo de chamar a atenção de uma patrulha militar, acabaram-se os crimes menores, por exemplo – afirma.

Entretanto, os moradores se queixam de que os soldados e os policiais estaduais e federais são vistos raramente, exceto em episódios de grande violência.

– Não há polícia, nem bombeiros, nem serviço social aqui – reclama uma moradora de meia-idade que teve sua casa incendiada; ela se recusa a fornecer seu nome por temer represálias – Aqui, os criminosos se livram de tudo. Nada é investigado, nem mesmo os assassinatos.

Os moradores acrescentam já terem visto, no local de um duplo assassinato, um oficial mexendo em uma poça de sangue e fluidos corporais com um palito, enquanto outro pegava um pedaço de carne e o atirava em um colega por brincadeira.

The New York Times.