O plano B do México

Em pequenas cidades castigadas pelo tráfico, jovens mulheres são obrigadas a virar chefes de polícia A onda de violência no México tem se tornado um desafio cada vez maior para as autoridades. Enquanto a violência do tráfico domina o interior do país, a falta de policiais treinados deixa a população desamparada e permite que gangues criminosas mantenham-se no poder.

Tendo em vista que a maioria da força policial dessas cidades foi exterminada em confrontos com os traficantes, quem passa a assumir cargos superiores dentro da polícia são jovens mulheres da sociedade civil. A justificativa está no fato de que as autoridades locais acreditam que as gangues são menos propensas a atacar as mulheres – e também porque poucos homens estão dispostos a assumir este posto.

Em novembro passado, após uma onda de violência em uma pequena localidade no norte do país, o governo local da cidadezinha de Praxedis Guerrero selecionou a estudante universitária Marisol Valles, de apenas 20 anos, para ser a chefe de polícia e comandar a força de nove mulheres e dois homens, na esperança de que redes criminosas a considerassem menos ameaçadora.

A jovem chefe de polícia deixou claro que os crimes mais graves ficarão sob a responsabilidade das autoridades estaduais e federais. Marisol diz que, na realidade, ela apenas analisa infrações civis emitidas por outros policiais e raramente sai do escritório.

– Eu sou uma espécie de administradora – conta Valles, que não anda armada nem veste uniforme.

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