Quem rodou na rodada?

A casa de apostas veio abaixo com a segunda derrota seguida do Vasco, que revoltou a sua torcida C onfesso que não me lembro da última vez em que vi um time grande jogando com 11 perder para um time pequeno jogando com dez. “Time pequeno” perdoe-me, é uma expressão em desuso. Depois que o futebol passou a ser um negócio, o correto é dizer, como fazem os comentaristas, “time de menor i nve s t i m e n t o ” .

Pois não é que o Nova Igu çu, time de menor investimento, com sua brilhante camisa de seleção holandesa, sapecou 3 a 2 no Vasco da Gama, que está jogando sem seus recentes investimentos? Depois de estar vencendo por 2 a 0, o Nova Iguaçu cedeu o empate já com dez e quando toda a casa de apostas esperava pelo terceiro gol do Vasco, foi o garoto Wilian Barbio, 18 anos, quem desempatou com a categoria de jogador de time de grande investimento: cortou o zagueiro e tocou com estilo no canto de Fernando Prass. Se o cabeludo Barbio jogasse na Seleção Sub-20, talvez não tivéssemos empatado com os bolivianos.

A casa de apostas veio abaixo com a segunda derrota seguida do Vasco, que revoltou seus torcedores e furou as acumuladas dos apostadores. A primeira derrota para o Rezende, time de menor investimento, já deixou muito apostador pedindo um troco emprestado para voltar para casa. Ninguém esperava pela segunda, e os apostadores dobraram a aposta no Vasco na esperança de compensar o prejuízo anterior e ainda botar algum na frente. Resultado: teve nêgo que acabou dormindo na casa de apostas de domingo para segunda-feira. Já tem gente dizendo que, com duas rodadas, o Vasco deu adeus à Taça Guanabara.

A verdade é que os times de menor investimento vêm assustando os times de maior investimento. Tirando o Vasco, que anda jogando como um time de investimento zero, apenas o Flamengo vem superando seus adversários sem sobressaltos. O Fluminense custou a fazer seu golzinho contra o Bangu e contra o Olaria, assustou seus torcedores até o empate de 2 a 2. O Botafogo teve que tirar água de pedra para virar o jogo contra o Duque de Caxias e contar com a inestimável colaboração de um zagueiro chamado Goéber para dar a partida na sua goleada contra a Cabofriense, goleada que só se desenhou a partir dos 30 minutos do segundo tempo. Goéber foi o artilheiro do jogo, com dois gols a favor do Botafogo.

Confesso que não me lembro da ultima vez em que vi – se é que vi! – um único jogador marcar dois gols seguidos contra a própria rede.

Realmente o Campeonato Carioca está nos reservando situações insólitas e inusitadas. O que será que vem por aí na terceira rodada? Só por curiosidade informo que no sábado Goéber deu uma passadinha pela casa de apostas e comunicou a alguns freqüentadores que iria fazer alguma coisa especial no jogo contra o Botafogo, que elevasse seu nome às manchetes dos jornais. Goéber se dizia cansado do anonimato imposto aos times de menor investimento. Ninguém imaginou que ele chegasse a tanto.