Palestina dividida

Especialista não acredita em acordo nesta geração O Hamas, criado em 1986, teria sido financiado pelos Estados Unidos e até por Israel para tentar enfraquecer a ação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Yasser Arafat. O grupo, que na época era mais radical, chegou a ser expulso da Jordânia, porque o rei Abdullah tinha medo que eles fizessem uma revolução em seu país.

No entanto, com a assinatura do Tratado de Oslo, em 1994, e o início do processo de paz entre Israel e Palestina, o Hamas se tornou um grupo mais radical. Enquanto a OLP começa a representar a Autoridade Nacional Palestina, os integrantes do Hamas, que não reconhecem o Estado judeu, passaram a realizar atentados e fi caram ainda mais próximos da população pobre.

– Não me surpreende que a Autoridade Palestina esteja negociando de forma tão concessiva para a criação de um Estado próprio. Eles não querem um Estado islâmico de forma alguma e a orientação política do Hamas é muito mais extremista. Eles não querem dividir o território com os judeus comenta Gonçalves, que critica também o pensamento “atrasado” do grupo islâmico e dos judeus extremistas.

– Qualquer raciocínio político mais razoável entende que não é possível pensar como em 1948, quando os países árabes tentaram acabar com o Israel – afirma, se referindo à guerra árabe-israelense.

O cientista político da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Antonio Carlos Peixoto concorda que o Hamas a ANP têm relação de inimigos, já que o grupo extremista quer uma postura militante da Autoridade Palestina.

– Assim como Irã e Hezbollah no Líbano, eles querem que o Estado palestino não exista.

Não aceitam que os dois países estejam no mesmo território.

Peixoto ainda denuncia a corrupção dentro da ANP, que recebe recursos de diversos países árabes identificados com a causa palestina.

Enquanto isso, o Hamas, que recebe dinheiro de poucos países, tem uma estrutura de serviço que atende à população mais carente.

Para o professor, o processo de paz não vai dar certo só com a concessão de territórios por parte dos palestinos.

De acordo com ele, Israel tem que parar de construir assentamentos judaicos.

– O que existe é um movimento repetitivo. Abrem-se as negociações e, pouco depois, o governo de Israel anuncia a construção de novos assentamentos e tudo para novamente. Israel não pode mais fazer isso. Já existe uma população judaica enorme na Cisjordânia, que, na teoria, deveria ser da Palestina – argumenta Peixoto, que tem um prognóstico ruim para a região.

– Não vai haver acordo de paz nessa geração. Israel, do jeito que está, não tem a intenção de assinar a paz com os palestinos. Eles só querem aumentar o número de assentamentos.