Medidas simples podem desafogar as vias

Vejo com alegria a coragem de proibir o tráfego de táxis pela direita O competente Secretário Municipal de Transportes, durante a semana que passou, anunciou a implantação de faixas exclusivas para os ônibus, em Copacabana, tendo o bom senso de permitir exceções para as conversões à direita dos demais veículos e a entrada dos mesmos em garagens e supermercados. Utilizará o sistema que utilizamos quando, em 1974, trabalhamos na reformulação do trânsito em São Paulo, para circulação da Avenida Paulista, também dotada de faixas exclusivas para ônibus. É necessário, no entanto, que se sinalize claramente, com faixa pintada no solo , a área onde a inscrição dos demais veículos é t o l e ra d a .

Vejo com alegria a coragem de proibir o tráfego de táxis pela direita, obrigando o embarque e desembarque de passageiros pela esquerda da via.

Tomamos esta medida pioneira, logo que assumimos o Detran GB, em 1967, sob os protestos do ex-Diretor Coronel Fontenelle, que ainda estava vivo e, infelizmente não viveu para ver o sucesso da medida para a fluidez do tráfego. Estabelecerão paradas seletivas para os diversos destinos de ônibus, com o espaçamento mínimo de 500 metros. No nosso tempo, estabelecemos o intervalo em 700 metros, que é o limite máximo permitido pelas normas do urbanismo. No caso atual, os usuários andarão, no máximo, 250 metros.

No nosso sistema, andariam mais 100 metros, com uma maior rapidez de circulação.

Não se esqueçam que o tempo de viagem inclui as paradas para o embarque e desembarque de passageiros.

Como não tínhamos verba e não existiam os modernos radares para fiscalizar os motoristas de ônibus, obrigando-os a respeitar sua faixa exclusiva, obrigamos os ônibus a terem no teto o seu número de série.

Os membros da Grupo dos Colaboradores do Trânsito, que existia na época, os fotografavam das janelas de seus apartamentos ao longo dos eixos, onde também estabelecemos uma faixa exclusiva para os ônibus, em 1969. As fotos, enviadas ao Detran, se transfor mavam em multas, depois de reveladas no nosso laboratório, e os remetentes eram indenizados nas suas despesas.

Nós também fazíamos a fiscalização, nas horas de pico, de um helicóptero.

Só vejo dois fatores perturbadores: a obediência à proibição da carga e descarga, nestes eixos onde existirão as faixas exclusivas, em face da orgia que hoje existe ao longo das vias da orla marítima, além da excessiva presença das vans. Perturbarão mais do que os táxis. Só vejo uma solução: proibir a circulação de vans onde existirem as faixas exclusivas dos ônibus, reconduzindo-as ao seu papel de alimentadoras do transporte principal.

Quanto à velocidade de escoamento do tráfego nestas vias com faixas exclusivas, não tenham receio, pelo Código de Trânsito, são coletoras, com a velocidade máxima limitada em 40 km. No mais, parabéns e sucesso.