Llosa, um adepto do perdão

Seu novo livro é baseado na vida de Roger Casement, que lutou contra o governo da Bélgica durante a colonização do Congo O escritor peruano Mario Vargas Llosa, que recebeu no último dia 10 de dezembro o Prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo, na Suécia, foi lembrado pela Academia pela sua “cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens mordazes da resistência, revolta e derrota dos indivíduos”.

Vargas Llosa, sempre crítico contundente da situação política de seu país, transpôs suas ideias em obras como Conversas na catedral e Pa n taleão e as visitadoras .

Autor de romances de tirar o fôlego, Llosa quebrou o regime de quase 20 anos sem um Nobel para um autor de língua espanhola.

O anúncio do prêmio coincide com o lançamento, no Brasil, do conjunto de artigos sobre política, história e literatura intitulado Sabres e utopias .

A obra, no entanto, não é apenas composta de textos sobre política. Os artigos mais interessantes tratam de literatura. São textos sobre autores como Gabriel García Marques, Jorge Amado, Cabrera Infante, além de texto sobre a série de livros Millennium , do escritor Stieg Larsson.

Seu novo livro, O sonho do celta , que será lançado no Brasil em julho, é baseado na vida do diplomata Roger Casement, forte personagem na luta contra o brutal governo de Leopoldo II da Bélgica durante a colonização do Congo, e também sobre a violência contra os extratores de borracha na Amazônia.

Vargas Llosa é, de fato, surpreendente. Ele não é apenas um forte crítico de sistemas políticos em todo o mundo e defensor da liberdade. É também um adepto do perdão. E o perdão é iluminação.

Recentemente, foi anunciado que Vargas Llosa virá ao Brasil, a convite da Academia Brasileira de Letras, para falar de suas obras e, certamente, do Nobel tão merecido que recebeu ano passado. Será sem dúvidas um encontro inesquecível no cenário literário nacional.