Ecologia sobre duas rodas

Renda extra dos bike boys financia vida no esporte A inovação da Bike Expresscaiu como uma luva para os problemas dos ciclistas profissionais da cidade. Praticantes de um esporte caro, eles tinham dificuldades para conseguir bons patrocínios.

Um dos beneficiados pela empresa foi o ciclista e geólogo Diego Singulani, de 27 anos. Além de financiar o esporte e ajudar a pagar as mensalidades da faculdade, o trabalho de bike boy serve como treinamento.

– Chegamos a andar até 80 quilômetros por dia – explica Diego. – Com tudo isso, nem preciso mais treinar nos finais de semana.

A economia com o serviço de bike boy pode chegar a até 50%, dependendo do trecho solicitado pelos clientes. E, de acordo com o trajeto, os ciclis tas são mais rápidos que os motoboys. Mas o maior beneficiado pelo serviço é mesmo o meio ambiente.

– Entrega, todo mundo faz – diz Denize. – Digo que minha inovação é vender cultura.

Dificuldades Todos os dias, cerca de 300 mil motos e motonetas circulam pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Para piorar, a alta demanda por motoboys nos centros empresariais da cidade impulsionou o crescimento da frota desse tipo de veículo. Hoje, nem os sindicatos da categoria sabem dizer quando são. De 2005 até hoje, o número de motocicletas na cidade cresceu 300%.

A maneira como a legislação trata as motos é o principal adversário da natureza. Enquanto a entrada de carros no país segue vários parâmetros anti-poluição, o sistema de escapamen to das motocicletas tem tecnologia ambiental defasada. Em média, uma motocicleta emite seis vezes mais gases poluentes do que um carro de passeio.

– Um carro hoje emite 95% menos de poluentes do que nos anos 80. Já as motos não mudaram nada de lá para cá – diz o professor de Química Ambiental da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Sérgio Machado Corrêa. – O Brasil precisa de leis mais rigorosas em relação à emissão de gases em motocicletas. Hoje, o Rio de Janeiro só não sofre mais com a poluição porque recebe diariamente uma massa de ar seco do Oceano Atlântico.

Os benefícios da troca de motos por bicicletas não são acompanhados por incentivos. Sem apoio do governo, Denize não consegue se expandir pois poucas empresas têm consciência ambiental para adotar o serviço. A falta de educação no trânsito também é um problema.

– Ciclistas não são respeitados aqui como na Europa – ressalta Diego. – Os carros não nos respeitam, e as ciclovias são poucas. Andar de bicicleta no Rio é uma aventura perigosa.