A esquerda do ORIENTE

Jornal que apóia o Hezbollah e temas como a homossexualidade e o feminismo ataca Ocidente I brahim al-Amine, presidente editorial do Al Akhbar , descreve suas ambições a respeito de seu periódico: “Que o embaixador dos Estados Unidos acordasse de manhã, lesse o jornal e se aborrecesse”.

Ele conseguiu. Em dezembro passado, o Al Akhbar se tornou o primeiro jornal árabe a obter seu próprio lote de revelações do WikiLeaks, tendo rendido diversos embaraços para os reis, príncipes e políticos da região. Logo depois, o popular site do jornal foi alvo de um cyber-ataque, o que acabou virando uma reportagem e trazendo ainda mais audiência.

Em uma região onde a mídia ainda está cheia de propaganda servil, o Al Akhbar agora é leitura obrigatória, até mesmo para aqueles que abominam política.

Mesmo apoiando o Hezbollah – grupo xiita respaldado pelo Irã –, o jornal defende os direitos dos homossexuais, o feminismo e ou tras causas de esquerda. O acesso do Al Akhbar ao grupo favorece furos nas maiores coberturas do Líbano, mas o jornal também publica escândalos sobre o abuso de trabalhadores domésticos, superlotação de presídios e outros temas delicados. Além disso, a publicação usa fotos espalhafatosas e coloridas de página inteira, algo incomum no mundo árabe.

– Nosso projeto é basicamente anti-imperialismo – disse Khaled Saghieh, editor geral Al Akhbar , que abandonou um doutorado em ciências políticas da Universidade de Massachusetts, para ajudar a lançar o jornal.

De acordo com ele, esses temas delicados associam a resistência do jornal às políticas econômicas neoliberais e seu apoio à luta do Hezbollah contra Israel. Mas há divergências com os membros do Hezbollah, que regularmente telefonam a para reclamar dos artigos. Porém, os líderes xiitas parecem reconhecer a importância de manter alianças por todo o complexo cenário sectário e político do Líbano.