Tendência é manter os atuais presidentes

No Senado, a permanência de José Sarney na presidência da Casa parece certa. Nos bastidores fala-se em um acordo para eleger Sarney agora, e em dois anos Renan Calheiros voltaria ao comando da Casa. Sarney nega o acordo.

Na avaliação do cientista político da UnB, Davi Fleischer, o clima de acordos e barganhas não difere de todas as outras eleições realizadas.

– No Senado, o PMDB reluta para alternar as presidências porque o partido entende que, mantendo a força na Casa, adquire mais poder com a presidente da República – afirmou.– Renan Calheiros não é muito bem aceito pelos outros partidos pelos problemas no passado, e o único peemedebista que tem chances de ganhar é José Sarney.

Enquanto isso, na Câmara, apesar de protestos isolados de alguns deputados, a vitória do petista Marco Maia é dada como certa até mesmo por seus concorrentes na disputa.

Maia é o atual comandante da Casa. Ele assumiu o cargo após a saída de Michel Temer para assumir a Vice-Presi dência da República.

O PT estuda uma forma de acomodar todos os partidos aliados, inclusive os insatisfeitos PTB, PSC e PDT, que pela proporcionalidade ficariam de fora da Mesa Diretora. Conseguiu convencer Júlio Delgado (PSB-MG) a retirar sua candidatura em troca de uma vaga na Mesa Diretora. A precaução se justifica: o temor de que o feito de Severino Cavalcanti (PP-PE), eleito presidente da Câmara como forma de protesto do “baixo clero” em 2005, ronda o governo.

Um dos que ameaçam lançar candidatura é o deputado Sandro Mabel (PR-GO). Na próxima semana ele deve decidir se concorre mesmo ao cargo.

– Quando o concorrente é único, não firma compromissos – argumenta. – Faz um discurso genérico e não conse gue fazer mudanças na Casa.

Com isso, a Câmara perde prestígio, e os deputados não conseguem levar os projetos para a frente, pois acaba virando uma candidatura bancada pelo Executivo.

Desdém O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), afirma que Mabel está fazendo birra.

– A candidatura de Mabel é pura demonstração de descontentamento com a base do governo – desdenha.

Por sua vez, Jair Bolsonaro (PP-RJ) assume que é candidato por protesto. Suas previsões são realistas: não conta receber mais que seis votos. O parlamentar pretende aproveitar a oportunidade de ter os holofotes virados para ele para criticar.

– A grande maioria dos parlamentares fica puxando saco do governo para liberar emendas de interesse pessoal. Uma candidatura única é a própria ditadura – disparou.

Procurados pela reportagem, José Sarney e Marco Maia preferiram não se manifestar. (J.R.).