O novo senhor da fantasia

Os livros de fantasia foram muito associados a literatura infantil, o que tem mudado nos últimos anos. Como você acha que isso aconteceu? – Acho que fazemos parte de uma geração que cresceu lendo fantasia e não perdeu o gosto pelo gênero. O problema é que, agora, esse público quer histórias mais realistas e maduras. E os escritores de fantasia também estão percebendo que é um gênero no qual dá para apostar sem cair no clichê de batalhas entre exércitos de orcs e dragões. O labirinto do fauno , de Del Toro, é um grande exemplo disso.

Transformar livros em filmes tem sido uma das principais apostas de Hollywood nos últimos anos. Você gostaria de ver ‘O nome do vento’ nos cinemas? Já recebeu alguma proposta? – Já tive algumas conversas a respeito de filmes nos últimos anos, mas nenhuma proposta oficial. O proble ma é que os grandes filmes de fantasia sempre são de ação. Eles têm exércitos, dragões, lutas de espadas, super-heróis. Mas O nome do vento é diferente. As questões que ele aborda são menores e mais pessoais, é uma história mais sutil. Se tentarem transformar meu livro num filme de ação, será horrível. Se fizerem algo como o O labirinto do fauno , será bem melhor.

‘O medo do homem sábio’ será lançado em março nos Estados Unidos e até o fim do ano no Brasil. O que seus fãs podem esperar de Kvothe neste segundo livro? – Kvothe está mais velho agora. Há uma boa diferença entre contar a história de um jovem e a de um adulto.

Ele vai enfrentar situações mais sérias e explorar bas tante o mundo. Há mais ação, sexo e violência também. Honestamente, estou orgulhoso com a maneira como o livro acabou.

E o desfecho da história? Alguma ideia de quando veremos a terceira parte da trilogia? – Vai demorar, pelo menos, uns dois anos. Já tenho boa parte do terceiro livro escrita, mas ainda há muito por fazer. Temos vários temas pela frente e bastante coisa para editar, e quero ter a certeza de que tudo vai sair perfeito. Fazemos par te de uma geração que cresceu lendo livros clássicos de fantasia, mas que agora quer ler histórias mais realistas e maduras.