O novo senhor da fantasia

Todas as resenhas sobre ‘O nome do vento’ colocam seu livro como o melhor da fantasia nos últimos anos. Como é ser alçado ao topo de um gênero sem grandes expoentes há décadas? – Honestamente, é assustador. Se não tivessem gostado do meu primeiro livro, teria ficado desapontado. Mas aí eu escreveria o segundo dizendo para mim mesmo “Vou mostrar para eles como posso melhorar”. O problema é que todos adoraram O nome do vento e agora as pessoas já me chamam de “o novo Tolkien”. E agora, como lidar com isso? Foi difícil. A pressão de fazer um livro tão bom quanto o primeiro me bloqueou e demorei quase um ano para retomar minha rotina.

E você esperava tanto reconhecimento logo no seu primeiro livro? – Não. Eu seria louco se esperasse metade do que consegui agora. Para mim, seria mais fácil acreditar no prêmio da loteria. Eu trabalhei no primeiro livro durante 14 anos, editei e reeditei-o várias vezes, mas não tinha qualquer expectativa de sucesso. É algo que você realmente quer, mas duvida muito que aconteça.

O gênero de fantasia para adultos sobreviveu graças à herança de Tolkien e Lewis.

Nesse intervalo, poucos escritores fizeram grande sucesso. O que fez ‘O nome do vento’ ir tão longe? – Foi pura sorte. Consegui um editor que realmente acreditou no meu livro e uma empresa que gastou di nheiro para divulgá-lo. O mais importante: tive a sorte de lançar um livro no momento em que o público estava pronto para ler o tipo de história que eu desejava contar. A diferença é que O nome do vento não é um livro sobre fantasia. É sobre a vida de um homem. Os elementos fantásticos deixam a trama melhor, mas o foco é nos personagens, o que faz com que os leitores se identifiquem com eles. É assustador ser considerado um novo Tolkien. A pressão de fazer um livro tão bom quanto o primeiro me bloqueou, e não consegui escrever por quase um ano.