Um brasileiro revela o Sudão

Em missão da ONU no país africano, militar fala do sofrimento dos sudaneses e da difícil adaptação S ob um calor de cerca de 60 graus, o brasileiro Alexandre Simioni desembarcou em Cartum, em maio de 2009, para participar da Missão das Nações Unidas no Sudão (UNMIS).

Um mês antes, ele havia recebido a notícia de que iria passar um ano no país africano. Capitão de Corveta da Marinha, a primeira impressão de Simioni foi de estranhamento, afinal, jamais havia entrado em um território muçulmano, onde as mulheres andam de burca mesmo com a umidade do ar próxima de 10%.

Ao chegar, a pobreza extrema foi o que mais impressionou o brasileiro, que era chefe da seção de informação da ONU, em Kordofan do Sul, no norte do país. Em uma volta ao Brasil, em janeiro de 2010, ele decidiu ir ao comércio popular da Rua Uruguaiana, no Centro do Rio, para comprar pequenos presentes para os sudaneses que moravam perto do seu acampamento.

A iniciativa fez tanto sucesso, que Simioni decidiu falar com amigos que estavam no Brasil para tentar ajudar uma escola feminina. A escolha pelas meninas teve um motivo: elas são as que enfrentam maiores dificuldade na sociedade muçulmana. A vontade de dar suporte àquelas crianças ficou ainda mais forte quando o militar acompanhou o trabalho realizado pela ONU para transmitir noções de igualdade, justiça e repúdio á tradição cultural de mutilação vaginal.

Além disso, a escola não tinha a menor infraestrutura, sem portas, janelas ou energia elétrica, e as crianças estudavam com cadeiras e uniformes doados pela Unicef.

A idéia de fazer mais que o seu trabalho na ONU também foi influenciada por amigos que ajudavam hansenianos.

– Esse foi o trabalho mais gratificante que já fiz na vida, mesmo sabendo que eles precisariam de muito mais.