Tudo como antes

De 6h às 8h, é a vez da cachorrada na praia A comerciária pública Dlicéia Cortes, que trabalha numa loja no Leme, afirma que o número de menores que se drogam com solventes e ameaçam pedestres cresceu nos últimos meses no bairro.

– Eles nos pedem dinheiro em tom ameaçador. Morro de medo de andar na rua.

Na manhã da última quinta-feira um grupo de seis adolescentes dormia estirado na ciclovia, em frente ao shopping Rio Sul, na divisa de Copacabana com Botafogo.

Segundo um segurança do shopping, um fiscal da Secretaria Especial de Ordem Pública teria lhe informado que não há mais vagas nos abrigos e o procedimento agora é fazer com que mendigos e menores apenas deixem os bairros considerados “turísticos”.

– Mas eles voltam para cá, pois aqui conseguem esmolas e podem assaltar turistas e moradores – afirmou o segurança.

Nas praias da Zona Sul, a situação é semelhante. Aproveitando que a Guarda Municipal só chega lá pelas 8h30, donos de cachorro levam seus animais para brincar na areia e tomar banho de mar entre 6h e 8h. Ontem pela manhã, só no Arpoador, havia cerca de dez cães com seus donos a correr pela areia. Na Praia do Diabo, eram mais oito.

Um dos cachorros urinou na camisa de um banhista que discutiu com a dona do animal, apesar de ela se oferecer para lavar a peça de roupa com uma água mineral que levava.

– No Brasil ninguém tem educação. Não querem saber se outras pessoas, e até crianças podem pegar micoses e vermes – disse o banhista, Eduardo Gonçalves Macedo, 33.

No Leblon, barraqueiros reclamam que têm que dar refrigerante e água mineral de graça aos fiscais da Seop para não sofrerem represálias.