Doce diversão

O urso Zé Colmeia e seu indefectível parceiro Catatau são personagens que dispensam maiores apresentações. Criado pela dupla Hannah-Barbera no fim dos anos 50, seus desenhos animaram as manhãs e tardes de muitas gerações, mas só teve um único longa animado em 1964. Agora, cerca de 47 anos depois, chega aos cinemas um filme com personagens reais interagindo com criações no computador.

Na história, o glutão e seu parceirinho de todas as trapalhadas precisam ajudar o Guarda Smith (Tom Cavanagh) a impedir que o Parque Jellystone seja fechado por conta da tramoia de um prefeito inescrupuloso que só pensa em dinheiro. Com este argumento que não sai de moda nunca, o diretor Eric Brevig ( Viagem ao centro da Terra – O filme ) apresenta um longa hermético com todos os ingredientes necessários, mas sem nenhum toque de mestre para melhorar a receita. Portanto, o que se vê na tela grande são sequências previsíveis do urso que gosta de torta, recheadas de piadinhas fraquinhas para o público adulto (mais exigente), mas que ainda funcionam com a garotada. De planos mirabolantes para surrupiar o rango dos visitantes, as famigeradas dancinhas ao som de uma música da hora, até um ra f t i n g nas corredeiras, a produção cumpre sua função de entreter. Repleto de frases feitas para destacar o confli to do personagem principal (“O gênio não duvida de seus instintos”) ou tocar no ecologicamente correto (“O mundo precisa do contato com a natureza”), o filme tem como ponto negativo uma piada de mau gosto relativa ao ato de medir a temperatura dos animais. Foi difícil também entender como o roteiro coloca uma ambientalista (Anna Faris) organizando uma festa regada a música e fogos de artifício num local que ela quer proteger da ganância do homem. Na trilha sonora, música do Journey (o clássico Don’t stop believin’ ) e Weezer. Apesar de algumas pequenas falhas na integração entre atores e animação (Smith olha para o lugar errado durante um abraço do Zé), o resultado final não compromete a diversão, concentrada mais para o fim.

Dessa forma, Zé Colmeia – O filme , diferente de seu personagem, está longe de entrar para a galeria dos inesquecíveis, mas ainda assim tem um gostinho e pode ser considerado uma doce diversão.