A cena exposta

– Ele foi meu professor e é uma figura fundamental para o teatro brasileiro – elogia Sandroni. – Introduziu Ionesco no país. E a mímica moderna.

O ator e diretor Luís de Lima estudou na Escola de mímica Etienne Decroux. Juntou, no fim da década de 50, A lição e A cantora careca em Espetácu lo Ionesco , empreendimento do Teatro Maria Della Costa.

Travou contato com o Grupo Opinião em Liberdade, liberdade . E participou de montagens importantes, como A gaivota , na versão de Jorge Lavelli, Os veranistas , conduzido por Sergio Britto, e Equilíbrio delicado , dirigido por Eduardo Wotzik.

–A morte dele passou quase despercebida – assinala Dudu Sandroni, em relação a Lima, falecido em 2002.

Migrando para o campo do humor, Luís Francisco Wasilewski está à frente da exposição Assim era o besteirol , que complementa a nova montagem de Solidão, a comédia , dirigida por Claudio Tovar, com Maurício Machado.

– A exposição nasceu no dia 13 de setembro de 2010, quan do fui apresentado a Machado por um amigo em comum, Alcides Nogueira, num jantar no restaurante Paris, em São Paulo – conta Wasilewski, que acaba de lançar um livro sobre Vicente Pereira, um dos principais autores do besteirol. – Ele viu que eu conhecia a história do gênero. No fim daquele mês, teve a ideia da exposição e me convidou para ser o curador.

O chamado teatro besteirol foi um gênero que vigorou durante a década de 80, principalmente no Rio de Janeiro, marcado pelo humor ácido e crítico de atores que escreviam seus próprios textos – como as duplas formadas por Miguel Magno e Ricardo de Almeida, Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro, Miguel Falabella e Guilherme Karam – e por autores como Vicente Pereira e Mauro Rasi. Wasilewski, porém, mostra que o besteirol transcende períodos e geografias específicos.

– Eu e Maíra Knox, diretora de arte da exposição, criamos uma árvore genealógica do teatro besteirol – informa. – Começou com o encontro, nos anos 60, de Vicente Pereira e Ney Matogrosso.

Os dois se ramificaram artisticamente com Duse Nacara ti, Thaís Portinho e Luiz Carlos Góes. Este se ramificou com Eduardo Dussek. Vicente e Mauro também se ramificaram com Miguel Falabella que, por sua vez, ligou-se a Guilherme Karam. Mauro se ramificou com Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro, e assim a árvore seguiu.

A exposição é composta por fotos de peças como Pe dra, a tragédia , Doce deleite , A noite do Oscar e Sereias da Zona Sul . Há um figurino utilizado por Thaís Portinho em Brasil, a peça , um vídeo com cenas de Quem tem medo de Itália Fausta? , Pedra, a tragédia e trechos do Retratos brasileiros que Marcus Alvisi fez sobre Duse Nacarati, em que aparecem depoimentos de Claudio Tovar, Rubens Araújo e Patrycia Travassos. Para completar, fichários com programas de espetáculos, textos datilografados de peças, matérias jornalísticas, fragmentos do romance inacabado de Vicente Pereira e a reunião de frases de Pereira, Falabella, Caio Fernando Abreu, Pedro Cardoso e Felipe Pinheiro.