Pag. 51 - Instantes de ousadia em produção rotineira

A comida já serviu de matéria-prima para ótimos filmes. O mexicano Como água para chocolate , o japonês Tampopo – Os brutos também comem spaghetti e, principalmente, o dinamarquês A festa de Babette são exemplos. Não é o caso, contudo, do espanhol Dieta mediterrânea . O diretor Joaquin Oristrell narra a trajetória de Sofia, que, contrariando as expectativas familiares, afirma vocação e talento para cozinhar e conquista dois homens: Toni, com quem se casa, e Frank, de quem se torna amante.

O diretor reedita determinadas convenções, como a da moça impetuosa que não mede esforços para alcançar o que quer.

Sem disposição para negociar, Sofia adere a um tempero explosivo e acaba desafiando os padrões morais de sua pequena cidade.

Mesmo longe da originalidade, o filme suscita algum interesse no desenvolvimento do relacionamento aberto entre Sofia, Toni e Frank, que formam uma família distante do tradicional formato instituído. Não só no que se refere aos seus protagonistas, Oristrell sublinha que a sexualidade muitas vezes não segue cartilhas ortodoxas. Não voa acima, porém, do nível de uma produção rotineira e munida de uma ou outra cena um pouco mais ousada. Fica a léguas de distância da maturidade e do humor do conterrâneo Pedro Almodóvar.