Pag. 5 - Deu a louca no tempo

Governos têm que começar a trabalhar com a nova realidade, afirma geólogo da UFF La Niña é acentuado com aquecimento global Neste início de ano, as fortes chuvas estão castigando não só a Austrália e o Brasil, mas também países do hemisfério norte, como a Alemanha. A explicação para o volume de água acima do normal no sul é a ocorrência do fenômeno La Niña, que causa o resfriamento das águas do Oceano Pacífico e pode durar até dois anos.

Porém, apesar desse fenômeno relativamente previsível, o professor da UFRJ Emílio la Rovere acredita que o aquecimento global tornou esses acontecimentos mais freqüentes. Rovere é integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão criado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), para estudar as mudanças climáticas no planeta. De acordo com Rovere, esses fenômenos devem acontecer com maior intensidade a cada ano. O professor alerta que, apesar das enchentes serem ocorrências naturais, a responsabilidade dos governantes não diminui. Rovere afirma que a quantidade de alertas para as mudanças climáticas tem aumentado e que medidas de adaptação podem ser adotadas para evitar tragédias.

– Um exemplo disso é que a temporada de furacões causa muito mais estragos no Haiti e em Cuba do que na Flórida (EUA). Não dá para os políticos tirarem a responsabilidade das costas e jogarem toda a culpa no aquecimento global – argumenta. – As tragédias acontecem porque.

não há prevenção.

Já o geólogo da UFF André Avelar acredita que as pessoas costumam comparar as chuvas de 40 anos atrás com as que acontecem hoje. Porém, de acordo com o especialista, o mundo mudou muito nos últimos anos, e temos que nos preparar para as novas condições climáticas.

Longe dos efeitos do La Niña, a Alemanha também sofre com inundações. Em pleno inverno europeu, o país enfren tava, além de fortes chuvas, o degelo da neve acumulada.

Avelar aponta o aquecimento global como o principal fator para os problemas enfrentados pelos alemães.

– O frio está cada vez mais intenso, e os acúmulos de neve são gigantescos. O problema do aquecimento é que ele acentua os extremos, nós não temos mais variações. Os governos têm que começar a trabalhar nessa nova realidade – conclui.