Pag. 7 - Cartas

Chuvas O Haiti é aqui, com uma diferença: as causas das nossas tragédias são muito mais graves que vulcões, tsunamis ou terremotos. A omissão do poder público estimula o crescimento e a proliferação de favelas e moradias em áreas de risco, com consequências previsíveis como as que vitimaram dezenas de moradores e pelo menos quatro bombeiros.

Gemerson Dias, Rio É intolerável a gente ter que aguentar o governador, diante de toda essa tragédia, dizer que não dá para fazer obra em 24 horas. E em 16 anos, dá? Antonio Carlos Ciccone, São Paulo Bancos Dá o que pensar a informação do Ipea: o Brasil tem 40% de excluídos bancários. Para superar essa anomalia os bancos terão de reformular e direcionar suas estratégias, visando uma função social do sistema, baluarte de um capitalismo forte e autossustentável. Lucros e juros celestiais, como hoje o mundo financeiro aplica, são um alerta que não podemos esquecer.

José de Anchieta N. de Almeida, Rio Aspone José Genoino não foi reeleito, é réu no processo do mensalão, mas será abrigado no guarda-chuva do governo de Dilma Rousseff. Foi convidado para ser assessor especial do ministro da Defesa. Será um aspone, visto que Nelson Jobim inventa cargos para abrigar companheiros derrotados nas urnas. Como não bastasse a Anac ser o grande cabide que nada resolve sobre voos e infraestrutura de aeroportos, o Ministério da Defesa não encontrou um nome dentre os milhões de brasileiros para ser o assessor especial de Jobim.

Fica difícil achar que o Brasil vai melhorar quando se vê que não há o menor interesse em sele cionar pessoas com um currículo sem manchas.

Luciana Lins, Campinas (SP) Gastos Pelas pequenas atitudes também se avalia a seriedade com que governantes se dispõem a tratar as coisas públicas, principalmente na contenção de despesas. Há quem vá dizer, como no caso dos passaportes diplomáticos, que é coisa pequena, insignificante. Que, frente à orgia de gastos, muitas vezes inúteis, pouco representaria. Com a nomeação de várias mulheres, o que é ótimo em princípio, novas placas de carro, de identificação e sabe-se lá o que mais, serão trocadas. Onde se lia ministro, se lerá ministra. Estes cargos são temporários e, portanto, logo pode haver necessidade de mudá-los.

Luiz Nusbaum, São Paulo Battisti Os deputados italianos não querem assinar o acordo de cooperação militar com o Brasil por causa do caso Cesare Battisti.

Nosso país deu abrigo ao sanguinário terrorista italiano, acusado de quatro assassinatos, sem cobrar um centavo das autoridades italianas. Se a Itália preferir, podemos mandar para lá, em troca e nas mesmas condições, um dos muitos bandidos brasileiros trancafiados em presídios de segurança máxima, que nenhum estado quer e que são bancados com o dinheiro do contribuinte.

Abel Pires Rodrigues, Rio Aeropor tos Ninguém mais poderá dizer que o governo Lula não se empenhou em buscar uma solução efetiva para pôr fim ao sofrimento dos passageiros em meio ao caos cotidiano que reina nos saturados e obsoletos aeroportos brasileiros. A solução foi parcialmente encontrada, pelo menos para os parentes do ex-presidente, agraciados que foram pelo Itamaraty com passaportes especiais, com isenção do pagamento das taxas devidas, que lhes conferem tratamento privilegiado nos aeroportos do Brasil e do exterior. Aos demais passageiros, que não têm o nome Luiz Inácio Lula da Silva em suas árvores genealógicas, só resta saber esperar, esperar que as coisas melhorem.

Túllio Marco Soares Carvalho.

Belo Horizonte.