Pag. 37 - Heloisa Tolipan

Quem escuta o nome da marca Natural Cotton Color pode pensar que se trata de uma linha de vestidos de Verão, com ar meio riponga . Estes não poderiam estar mais enganados.

O coletivo de cooperativas de artesãos nordestinos – que produz de redes gostosas para deitar na varanda a bolsas – pisou na passarela do Rio-à-Porter, anteontem, com a sua linha de vestuário assinada por Fran cisca Vieira . O coletivo usa apenas algodão colorido naturalmente em tudo o que produz, para acabar com as agressões ao meio ambiente geradas pelos processo de coloração dos tecidos. A valorização do trabalho dos grupos de artesãos locais é outra diretriz da organização. Se ela encontra uma família que faz macramê como poucos, logo cria uma linha especial de peças recheada da rica tecelagem. Porém, vale avisar: sem explorar o talento dos mestres dos nós.

“Tem estilista que resolve fa zer uma coleção cheia de renda renascença, vem até as rendeiras, compra 10 mil peças e vai embora. Isso não é trabalho social. Nos importamos em valorizar o trabalho dos artesãos e buscamos sempre expandir a produção”, nos disse Francisca. A estilistas ainda continuou o raciocínio: “A moda atual anda cansativa. Tem muito da mesma coisa e nós viemos para criar algo diferente”. Surpreendente poderia definir o desfile apresentado naquela tarde. Grande parte do desafio fica por conta da matéria-prima, que só vem em quatro cores – todas variações de bege e marrom. Nos chamaram a atenção os elegantes casacões acinturados com cintos masculinos e as saias rodadas salpicadas de renda renascença e frivolité, uma técnica delicada de bordado construída com pequenos nós. Ser regional e natural nunca foi tão chique.