Pag. 28 - Florais de inverno e telas de galinheiro

As cidades lançadoras de moda têm, no mínimo, três eventos que ocorrem ao mesmo tempo: desfiles de ponta, salões de negócios, show-rooms independentes. O Rio se integra nesse circuito que movimenta, em princípio, a plateia de convidados e, mais tarde, desencadeia os processos de produção e vendas das novidades da moda.

Assim, durante esta semana realizam-se o Senac Rio Fashion Rio, na Marina da Glória, o Rio-à-Porter e o Fashion Rio, no lendário Cais do Porto.

As vendas agitam os espaços das marcas, mas são os desfiles que produzem os looks importantes da temporada. Há diferenças entre os eventos: o Fashion Rio começa a assumir um papel conceitual, com modelos naquele estilo que deixa dúvidas quanto ao uso na vida real, por gente com menos de 1,80 metro e mais de 50 quilos. O Rio-à-Porter começa a investir em pequenos desfiles em salão aberto, cercado de balcões de fast food , como nas feiras europeias – o que pode atrair mais público para os espaços de venda no atacado.

E o Senac Rio Fashion Business avança como polo lançador e ponto de venda forte, um feito considerado impossível por quem acompanha a evolução dos eventos no Brasil. Em geral, quem tem bons desfiles não faz vendas.

Para a moda e para a cidade, quanto mais novidades, melhor. As inovações em roupas e acessórios ganham a companhia de outros setores, que fazem parte de estilo de vida e tecnologia. Só as equipes de ex-alunos do Senac Rio atendem mais de 50 pessoas para fazer massagens, shiatsu ou consultas sobre cabelos, com direito a corte, xampu e escova grátis. Na área Tech do Fashion Business, fica evidente a crescente importância dos programas de informática e produção de conteúdo para sites corporativos. Sem falar na variedade de cabides, anatômicos, aveludados, coloridos.