Pag. 2 - A independência da polícia que prende polícia

A MELHOR NOTÍCIA que o Rio de Janeiro poderia receber, depois da pacificação da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, em dezembro passado, foi publicada ontem, neste Jornal do Brasil , na entrevista do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte.

Isolar a Corregedoria da Polícia Militar em um prédio exclusivo, separando-a do restante da corporação será um marco decisivo na história da segurança pública fluminense, que obriga os bons policiais a carregarem consigo a má fama junto do distintivo por causa dos colegas corruptos ou truculentos.

Separar o joio do trigo é fundamental dentro de uma corporação de mais de 40 mil homens, principalmente quando a corrupção já se tornou crônica, assim como as denúncias de abuso de autoridade cometidas durante as incursões em comunidades carentes dominadas pelo crime organizado.

Nesse caso, a maioria honesta paga com o medo pelos atos da minoria de bandidos.

A situação ainda piora se a própria população, que tanto se queixa, não se furta de colaborar com a corrupção ao entrar na onda do suborno, também conhecido como “caixinha” ou “colaboração”.

O fato é que se a equipe encarregada de apurar a má conduta fica sujeita às pressões dos colegas, a apuração estará condenada a acabar em pizza.

Um prédio exclusivo para a Corregedoria é um excelente começo para a independência das investigações e a justa punição dos maus policiais.