Pag. 2 - O caldo de cultura para um assassino agir

POR TRÁS DO c e l e ra d o que, no sábado, abriu fogo contra a senadora do Partido Democrata, Gabrielle Giffords, matando, além dela, mais cinco pessoas e ferindo outras 14, estão questões muito mais profundas que um simples distúrbio mental. O radicalismo que tem marcado os embates ideológicos na política americana pode ter contribuído, segundo especialistas ouvidos em reportagem publicada nas páginas 11 e 12 desta edição do JB Premium .

Não há dúvidas de que Jared Loughner, 22 anos, o atirador do Arizona, tem problemas psicológicos. Era também um fanático por teses extremistas – em sua casa, a polícia encontrou livros de Karl Marx e Adolph Hitler – e nutria especial fixação na senadora Giffords, sem ainda estar esclarecido se isso tinha componentes de um fetiche doentio ou se era apenas uma paranoia ideológica.

O fato é que o acirramento dos debates entre republicanos e democratas desde que Barack Obama assumiu o poder pode ter contribuído decisivamente para que Loughner passasse a mão numa arma automática e levasse os Estados Unidos da América a mais um episódio de comoção coletiva.

Por suas ações e pronunciamentos, Obama tem sido chamado pelos adversários de comunista e até de muçulmano. Por outro lado, os passos em falso do presidente americano causam incertezas nos aliados democratas, que, para defendê-lo, acabam apelando. Caldo de cultura ideal para que um assassino como Loughner encontre motivos para fazer suas loucuras.