Dr. Lonnie Smith ícone do Hammond B3 de volta ao selo Blue Note

O Hammond B3 é aquele mini-órgão de dois teclados e uma pedaleira, inventado na década de 30, e “reinventado” por Jimmy The IncredibleSmith nos anos 50. Em 1968, um outro Smith, de primeiro nome Lonnie, foi lançado pela gravadora Blue Note no LP Think! - logo seguido de Turning pointMove your hand e Drives, álbuns também referenciais da estética do chamado soul jazz.

O aclamado Dr. Lonnie Smith, hoje com 73 anos, aproveitou muito bem o revival, nos últimos 10 anos, da voga dos trios ou quartetos com B3. Ele aparece sempre entre os cinco primeiros organistas mais votados nos rankings anuais das revistas especializadas, ao lado de especialistas bem mais moços como Joey De Francesco, Larry Goldings e Gary Versace.

O início deste novo ano marca a volta do Dr. Lonnie Smith ao emblemático selo Blue Note, que comemorou o 75º aniversário em 2014. O novo CD intitula-se Evolution, e mereceu de Steve Greenlee, reviewer da JazzTimes (edição deste mês de janeiro), a seguinte apreciação:

“O Dr. Lonnie Smith, um dos padrinhos do órgão jazzístico, retorna à etiqueta que cimentou o seu status como um rei do B3 nos anos 60. Agora, tanto tempo depois de sua prévia sessão para a Blue Note, ele lançou não só aquele que pode ser o maior dos seus álbuns, mas também uma das melhores contribuições ao cânon do jazz-organ”.

Além do líder, o sexteto ouvido em Evolution é integrado por John Ellis (saxes, flauta), Jonathan Kreisberg (guitarra), Maurice Brown (trompete), e pelos bateristas Jonathan Blake e Joe Dyson. Estes dois fornecem ainda mais combustível rítmico ao álbum, atuando juntos em cinco das suas sete faixas.

O Dr. Lonnie Smith convidou para a sessão dois jazzmen de gerações bem distintas: o saxofonista sans pareil Joe Lovano, 63 anos, e o pianista Robert Glasper, 37, new star cada vez mais aplaudido, e que explora com sucesso a fusão jazz-street music.

O disco de mais de uma hora começa com Play it back (14m), tema antigo do organista, por ele desenvolvido numa atmosfera bem funky, com espaço generoso para o piano acústico de Glasper, o fogo alto alimentado pela dupla de bateristas.

Joe Lovano, no sax soprano, tem destaque na melodiosa Afrodesia (8m20), composição-título de um LP de Smith de 1975, e que marcou, justamente, a estreia em gravação do saxofonista, então com 23 anos. No sax tenor, o agora ilustre guest atua em For heaven's sake (5m50), uma balada em que a abertura fica por conta da guitarra de Kreisberg.

Outros originais do Dr. Smith são Talk about this (7m15), com vertiginoso solo do trompetista Brown, e African Suite (9m50), com o líder no trocando o B3 pelo teclado Korg, e realce para a flauta de Ellis e a percussão da dupla Blake-Dyson.

Straight no chaser (6m40), icônica composição de Thelonious Monk, e My favorite things (11m10), standard que John Coltrane transfigurou para o jazz, são recriados pelo Dr. Smith, em trio, com o guitarrista Kreisberg e o baterista Blake. 

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