Marquis Hill é a nova estrela do trompete

A Thelonious Monk Institute of Jazz Competition é a mais importante disputa anual aberta a jovens músicos de talento comprovado em busca de renome. O vencedor ganha – além de US$ 25 mil – um contrato de gravação com a Concord Music. Nos três primeiros anos, o certame era exclusivamente para pianistas, e abriu caminho para as brilhantes carreiras de Marcus Roberts, Ted Rosenthal e Bill Cunliffe. A partir de 1990, foi estendido a outros instrumentistas (e também vocalistas), em sistema de rodízio.

Neste último domingo (8/11), em concerto de gala no Dolby Theater, Los Angeles, a 28ª Thelonious Monk Competition, dedicada a trompetistas, premiou Marquis Hill, 27 anos, nascido e criado em Chicago, onde se formou pela DePaul University. O segundo e terceiro colocados foram, respectivamente, Billy Buss, de Berkeley, California; e Adam O'Farrill, novaiorquino do Brooklyn, filho e neto de dois grandes chefes de orquestras especialistas no Afro-Cuban jazz: Arturo e Chico O'Farrill (1921-1981).

Como sempre, o corpo de jurados reuniu eminentes jazzmen – desta vez, é claro, ases do trompete: Quincy Jones, Randy Brecker, Jimmy Owens, Arturo Sandoval, Roy Hargrove e Ambrose Akinmusire (este, o mais jovem do júri, e vencedor da Thelonious Monk Competition de 2007).

Marquis Hill não é um ilustre desconhecido. Pelo menos na movimentada cena jazzística de Chicago, embora só agora vá ter acesso a um público bem maior, a partir dos próximos álbuns a serem gravados e distribuídos pela etiqueta Concord.

A discografia de Hill na condição de líder começou em 2012, com o álbum Sounds of the city, por ele mesmo produzido e editado, e que contou com dois convidados de peso: o saxofonista Greg Ward e o guitarrista Bobby Broom (um dos sidemen preferidos de Sua Excelência Sonny Rollins). No ano seguinte, o trompetista lançou The poet (Skiptone), à frente do seu conjunto Blacktet (Christopher McBride, sax alto; Joshua Thomas, vibrafone; Josh Moshier, piano; Joshua Ramos, baixo; Makaya McCraven, bateria).

Agora em outubro, no mesmo selo indie, saiu Modern flows EP, vol. 1, gravado em junho último, com o mesmo Blacktet. As 10 faixas do disco já estão disponíveis em iTunes, e exibem – além da técnica e da criatividade do pistonista rising star – composições e arranjos do líder em que os sopros e o vibrafone se harmonizam numa linguagem pós-bop refinada por sobre uma pulsação percussiva que remete, constantemente, à street dance. Em I remember Summer (4m30), King legend (2m45) e Legend's outro (3m30) os vocais pop ou na base dohip-hop sobrepõem-se à linguagem puramente jazzística. Mas os jazzófilos avessos a tais “desvios” vão certamente apreciar as demais faixas da seleção, principalmente Black harvest (5m), White shadows (7m10) e When we were kings (4m45).