Concord comemora 60 anos da histórica gravadora Riverside

Um dos primeiros LPs de jazz que adquiri foi o 10 polegadas New Orleans horns (Riverside 1005). Editada originalmente em 1954, a coletânea continha, entre outras relíquias, as gravações fundamentais do estilo New Orleans feitas pela Paramount, em 1923, em Chicago, da banda do cornetista Joe “King” Oliver – aquela que tinha como segunda corneta o jovem Louis Armstrong, e também como destaques o clarinetista Johnny Dodds e o trombonista Honoré Dutray.

Fundada por Orrin Keepnews e Bill Grauer, em 1953, a Riverside começou suas operações reeditando em vinil o tesouro do jazz clássico acumulado nas matrizes Paramount e Gennett, e que incluía gemas de outros fundadores do jazz como Freddie Keppard, Jelly Roll Morton e James P. Johnson. Mas, em 1954, Keepnews começou a gravar modernistas de então do quilate dos pianistas Randy Weston e Thelonious Monk. E, logo em seguida, “descobertas” como o saxofonista alto Julian “Cannonball” Adderley, o pianista Bill Evans e o guitarrista Wes Montgomery.

Até o início da década de 60, o binômio Riverside-Keepnews foi sinônimo de jazz de qualidade superior. Com a morte do sócio Bill Grauer, em 1963, o selo foi adquirido pela ABC Records, e as matrizes acabaram com a Fantasy, que reeditou em CD as mais importantes, na série Original Jazz Classics - como, por exemplo, os preciosos sets do trio de Bill Evans naquela tarde de domingo de junho de 1961 no Village Vanguard (Sunday at the Village Vanguard Waltz for Debby). O catálogo Fantasy (OJC) passou depois às mãos da Concord Records.

Pois bem. Nesta última terça-feira (23/7), a Concord lançou cinco títulos antológicos na série OJC Remasters, em comemoração ao 60º aniversário da saudosa etiqueta Riverside. As novas edições – mantidas as liner notes de Keepnews, e acrescentadas alternate takes – são dos seguintes álbuns indispensáveis em qualquer discoteca de jazz que se preze: Mulligan meets Monk (1957), o pianista-compositor Thelonious Monk e o saxofonista-barítono Gerry Mulligan em quarteto (Wilbur Ware, baixo; Shadow Wilson, bateria); Things are getting better (1958), com o vibrafone de Milt Jackson, um dos maiores improvisadores da história do jazz, e o sax alto de Cannonball Adderley, o herdeiro direto de Charlie Parker, na companhia dos eminentes Art Blakey (bateria), Wynton Kelly (piano) e Percy Heath (baixo); Chet Baker plays the best of Lerner and Loewe (1959), disco em que o trompetista cool por excelência se cerca de dois lendários saxofonistas (Zoot Sims, tenor; Pepper Adams, barítono), do flautista Herbie Mann (também no sax) e de seção rítmica com Bill Evans ao piano; Wes Montgomery: So much guitar! (1961), o segundo grande álbum do guitarrista canonizado em sua curta vida (1925-1968), tendo por parceiros, entre outros, Hank Jones (piano) e Ron Carter (baixo); How my heart sings! (1962), do trio de Bill Evans (com o baterista Paul Motian, e o baixista Chuck Israels no lugar de Scott LaFaro, que morrera num desastre de automóvel pouco tempo antes).