Disco de Vijay Iyer lidera lista da Jazz Times dos Top CDs de 2012

Downbeat já elegera o pianista de ascendência indiana o melhor músico do ano

O pianista-compositor Vijay Iyer, 41 anos, nascido em Albany (Nova York), filho de imigrantes indianos – e também graduado em matemática e física por Yale - consolidou neste ano que passou o seu prestígio como um dos mais originais e criativos jazzmen dos últimos tempos. Na eleição anual dos críticos promovida pela Downbeat, em agosto, ele foi o mais votado em nada menos do que cinco categorias: artista do ano; álbum do ano (CD Accelerando, selo ACT); melhor pianista; líder do melhor conjunto (o trio com o baixista Stephan Crump e o baterista Marcus Gilmore); estrela em ascensão (rising star) entre os compositores.

O mesmo disco, Accelerando, lidera a lista dos 40 Top CDs do ano (editados entre 1/11/2011 e a mesma data de 2012) escolhida pelos reviewers da Jazz Times, e publicada agora na edição de janeiro da também referencial revista especializada.

Os outros quatro álbuns mais votados foram, pela ordem, os seguintes: Four Mfs playin' tunes (Marsalis Music), do quarteto do consagrado saxofonista Branford Marsalis (Joey Calderazzo, piano; Eric Revis, baixo; Justin Faulkner, bateria); Reunion in New York (Pi), uma sessão de 2007 com o mesmo trio do icônico sax tenor Sam Rivers (1923-2011) que marcou o jazz de vanguarda dos anos 70 (com Dave Holland, baixo; Barry Altschul, bateria); Centennial: Newly discovered works of Gil Evans (Artistshare), trabalho de “arqueologia” jazzística do arranjador-compositor Ryan Tuesdell, na condução de uma orquestra formada por músicos da “Primeira Liga” de Nova York, em homenagem ao centenário do legendário Evans; Spirit fiction (Blue Note), com o quarteto e o quinteto do saxofonista Ravi Coltrane, o “filho do homem”, na companhia de sidemen do quilate do trompetista Ralph Alessi e dos pianistas Geri Allen e Luis Perdomo.

Destes cinco primeiros “top CDs” da lista da JT, três foram destacados e recomendados por esta coluna no decorrer de 2012 – os de Vijay Iyer (21/7), de Ryan Tuesdell (21/4) e de Ravi Coltrane (4/8).

Dentre os 15 álbuns que receberam o maior número de indicações, merecem menção especial (10º e 11º lugares) os dois gravados entre 2008 e 2011 - lançados pelo selo Nonesuch - do magnífico pianista Brad Mehldau à frente do seu trio com Larry Grenadier (baixo) e Jeff Ballard (bateria): Ode, com 11 composições do líder; Where do you start, contendo interpretações de 10 peças de autores bem variados tais como Sonny Rollins (Airegin), Chico Buarque (Samba e amor) e Johnny Mandel (a faixa-título).Vale também registrar os que chegaram em 13º, 14º e 15º lugares no pleito dos 40 “Top CDs” do ano da JT, e que foram analisados e indicados neste espaço: Fred Hersch trio/ Alive at the Vanguard (Palmetto), em 15/9; Within a songJohn Abercrombie Quartet (ECM), em 16/6; Claroscuro (Anzic), com o quarteto da clarinetista-saxofonista Anat Cohen, e Paquito D'Rivera e Wycliffe Gordon como convidados ilustres, em 1/9.

Finalmente, o CD duplo Bill Evans: Live at Art D'Lugoff's Top of the Gate (Resonance), contendo 17 faixas inéditas gravadas pelo trio do canonizado pianista, em 1968, no há muito extinto clube do Village, foi eleito o registro de maior valor histórico lançado neste último ano (Este álbum foi tema desta coluna em 30/6).