‘Jazz Times’ publica a lista dos 40 Top CDs lançados no último ano 

Maior lenda viva do jazz, o saxofonista tenor Sonny Rollins comemorou seus 80 anos, em setembro de 2010, com um concerto no Beacon Theatre de Nova York, do qual participaram eminentes convidados, como Ornette Coleman, o baterista Roy Haynes, o guitarrista Jim Hall e o trompetista Roy Hargrove. Alguns momentos desse histórico acontecimento foram registrados no CD Sonny Rollins: Road shows, vol. 2 (Doxy/EmArcy), lançado em setembro do ano passado.

Como era de se esperar, o álbum foi o primeiro da lista dos 40 Top CDs do ano (lançamentos de 1/11/2010 à mesma data de 2011) escolhidos pelos principais colaboradores da influente revista Jazz Times. Na eleição online dos leitores, cujos resultados foram publicados na mesma edição deste mês da JT, Rollins venceu nas categorias Artista do ano e Melhor novo lançamento (o citado Road shows, vol. 2). Críticos e leitores também concordaram quanto à melhor ou mais importante reedição histórica em CD: Miles Davis Quintet live in Europe 1967: The bootleg series, vol. 1 (Columbia/Legacy).

Na relação dos preferidos dos críticos, os álbuns mais votados depois do último “pronunciamento” de Sonny Rollins foram, pela ordem: Bird songs (Blue Note), com o quinteto Us Five do sax tenor Joe Lovano; When the heart emerges glistening (Blue Note), de Ambrose Akinmusire, “a nova voz importante do trompete no jazz”, segundo Geoffrey Himes; Live at Birdland (ECM), do primoroso quarteto Lee Konitz-Brad Mehldau-Charlie Haden-Paul Motian; Alma adentro: The Puerto Rican songbook (Marsalis), com o quarteto do saxofonista alto Miguel Zenon, mais um tenteto de sopros, arranjos de Guillermo Klein; Athens concert (ECM), encontro do veterano saxofonista Charles Lloyd e seu quarteto, ao pé da Acrópole, com a cantora grega Maria Farantouri; Victory (Sunnyside), disco definitivo do saxofonista tenor JD Allen à frente de seu trio; Avenging angel (ECM), performance solo do pianista Craig Taborn; Rio (ECM), o concerto solo do virtuose Keith Jarrett, gravado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em abril do ano que passou; Roy-alty (Dreyfus), com o lendário baterista Roy Haynes, 86 anos, na liderança de seu quarteto Foutain of Youth, tendo como convidados Roy Hargrove e Chick Corea.

Uma vez mais, a etiqueta alemã ECM, de Manfred Eicher, com os quatro discos acima referidos, foi a responsável pelo maior número dos 40 top CDs editados neste último ano-base. O selo Motéma também conseguiu a mesma marca, com os seguintes álbuns: Black lace Freudian slip, da vocalista bluesy René Marie (25º mais votado); Convergence, do trio da pianista Lynne Arriale, mais Bill McHenry (sax tenor) em algumas faixas (28º); Plays Nat King Cole in español, com a Cuban Ensemble do saxofonista David Murray (30º); Threedom, do trio do pianista francês Jean-Michel Pilc, com o baixista François Moutin e o baterista Ari Hoenig (38º).

Na eleição paralela dos críticos da JT para os Top 10 CDs de conteúdo histórico (reedições ou gravações inéditas), o box (álbum duplo e DVD) do “segundo grande quinteto” de Miles Davis (The booteleg series, vol. 1) foi, como já vimos, o grande vencedor. Os seguintes mais votados foram: Freddie Hubbard Pinnacle: Live and unreleased from Keystone Korner (Resonance), gravação inédita de 1980, ao vivo, no clube de San Francisco, do quarteto do grande trompetista, com Billy Childs (piano); Jules Hemphill: Dogon A.D. (International Phonography), reedição do LP cult de 1972 do saxofonista alto free, ao lado de Baikida Carroll (trompete), Abdul Wadud (violoncelo) e Philip Wilson (bateria).

P.S.: Os álbuns de Sonny Rollins e de Miles Davis foram indicados e comentados nesta coluna, respectivamente, nos dias 10 de setembro e 8 de outubro de 2011.