Educação nas ruas

Não faz muito tempo. Tendo assumido como deputada constituinte na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, vivi um período em que já se fazia urgente a desmilitarização da polícia fluminense. Recordo claramente que este assunto se mostrava como uma proposta muito importante à época, assim como a unificação das polícias. Era o ano de 1989.

Desde junho deste ano, quando as manifestações tomaram as ruas de todo o país, notamos que o centro do discurso de muitos de nós vinha se repetindo: a presença constante da violência policial contra os movimentos sociais. Um tema que vem do passado pedindo debate e solução, principalmente a partir das recentes manifestações dos professores do Rio.

É preciso, com urgência, dar um basta à criminalização permanente dos manifestantes e de movimentos sociais que, legitimamente, ocupam os espaços públicos para se fazer ouvir. Essa ideologia da segurança nacional que comanda os protagonistas da repressão de nosso país e, particularmente, de nosso estado, tem de ser enfrentada com coragem, em tema que nos ocupa desde a década de 80.

Hoje, passados mais de 20 anos, tramita no Senado Federal a Proposta de Emenda Constitucional nº 51/03, que propõe esta desmilitarização. É um dos caminhos possíveis e mais ágil para modificar o cenário nos estados, de conflito intenso e truculento entre a polícia e os movimentos sociais. A votação deste texto é importante enquanto marco constitucional e para avançarmos como sociedade de paz.

Além do repúdio à violência ou de propostas para segurança pública, vale também o reforço da reabertura do diálogo com os professores. Como presidente da Comissão de Cultura da Câmara, temos trabalhado muito na integração com políticas de educação e apontado suas vantagens na formação de nossos cidadãos.

A partir de debates intensos no colegiado, firmamos a convicção de que o centro da boa política é a intensa valorização do professor. É a partir do mestre que os valores são plantados, disseminados em novas gerações cada vez mais capazes de se reconhecer como protagonistas de suas própria s histórias.

Se a ótica é o estudante e a sua cidadania, para que esse trabalho se concretize com qualidade e eficácia o professor precisa ser valorizado e capacitado.

Não é mais possível olhar uma manifestação de educadores, como a do Rio de Janeiro, e encarar a repressão generalizada, sem respostas aos questionamentos da categoria e da sociedade civil. É tempo de reabertura da negociação e do diálogo com os professores fluminenses, assim como pela aprovação da PEC da desmilitarização e por todas as ações possíveis para barrar a criminalização do movimento social.

É um chamado à mudança.

*Jandira Feghali é médica, deputada federal pelo PCdoB-RJ e presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados