Famílias separadas pela guerra: Coreanos terão reencontro

Pela primeira vez em três anos, as Coreias reuniram famílias separadas pela guerra entre o Norte e o Sul, congelada por um armistício desde 1953. Uma das consequências mais duras do conflito, a divisão de famílias atingiu milhões de pessoas. A iniciativa, que já contou com 20 reuniões desde 2000, permitirá o reencontro por três dias em um resort na Coreia do Norte, no que poderá ser a última oportunidade para a maior parte dos contemplados, que não se veem há mais de 65 anos. 

Os 93 selecionados do Sul e os 88 do Norte poderão permanecer juntos por até 11 horas em uma agenda que começou hoje e vai até quarta-feira. A dinâmica inclui encontros individuais, almoços, jantares e trocas de presentes entre os familiares. Há, no entanto, um rito a ser seguido - os parentes, por exemplo, são orientados a não falarem sobre política, dadas as divergências entre as nações. 

A reunião deste ano contou com um componente delicado: a pressa. A maior parte dos familiares que ainda não tiveram a oportunidade do reencontro tem mais de 80 anos. Das 130 mil pessoas que se voluntariaram para o programa no escritório da Cruz Vermelha na Coreia do Sul, quando a iniciativa surgiu, há 18 anos, mais da metade morreu antes de conseguir rever seus parentes. Dos 57 mil que ainda estão vivos, 12 mil já passaram dos 90 anos. 

Dentre os sul-coreanos que viajarão para rever parentes, estão três pessoas com mais de 100 anos. Desde 2000, apenas 20 mil pessoas foram selecionadas para as visitas. 

A ansiedade para o reencontro não poderia ser maior. Há 68 anos, Kim Kwang-ho se despediu do irmão, Kwang Il, com um “até logo” ao fugir do avanço das tropas comunistas em Myongchon, hoje na Coreia do Norte. Ele, como muitos outros, acreditou que poderia retornar para casa em um curto espaço de tempo, o que nunca aconteceu. Nesta semana, ele terá a oportunidade de rever Kwang, que tinha nove anos na ocasião da fuga. 

Já Lee Keum-seom, de 92 anos, será uma das poucas com a oportunidade privilegiada de rever seu filho, hoje com 71 anos. Ele ficou com o pai, enquanto Lee fugiu para o sul em uma balsa. Mãe e filho terão, ao todo, três dias para compensarem seis décadas.