Papa se diz impressionado por decisões de bispos chilenos questionados

O papa Francisco se declarou "impressionado" pela decisão dos bispos chilenos que na sexta-feira admitiram ter vacilado ante denúncias de abusos sexuais cometidos por padres.

Em uma carta manuscrita e divulgada pela Conferência Episcopal chilena, o pontífice afirmou ter ficado "impressionado pelo trabalho de reflexão, discernimento e decisões que fizeram" os bispos chilenos na reunião extraordinária que realizaram na semana passada.

"Tenho certeza que ajudarão decididamente em todo este processo. Mas o que mais me tocou foi o exemplo da comunidade episcopal unida no pastoreio do santo povo fiel de Deus", acrescentou Francisco.

Em meio à crise que afeta a Igreja Católica chilena após as sucessivas denúncias de abuso sexual a menores, os bispos chilenos reconheceram ter "falhado" e voltaram a pedir perdão "às vítimas e sobreviventes".

"Falhamos no nosso dever de pastores, ao não escutar, acreditar, atender ou acompanhar as vítimas de graves pecados e injustiças cometidos por sacerdotes e religiosos", disseram em uma declaração na sexta-feira.

Anunciaram, ainda, uma série de medidas para dar uma resposta e começar a solucionar o grave problema que afeta a Igreja, entre elas sua absoluta disposição para colaborar com a Promotoria Nacional, que mantém abertos 38 inquéritos por abusos sexuais, em sua maioria a menores.

Segundo uma pesquisa do Instituto Cadem publicada nesta segunda-feira, 96% dos chilenos consideram que a Igreja Católica protege os padres acusados de abusos sexuais e 83% pensam que o clero não é honesto nem transparente.

Do mesmo modo, 39% das 705 pessoas entrevistadas entre 1 e 3 de agosto para o estudo, cuja margem de erro é de 3,7%, estão convencidas de que a maioria dos padres estão envolvidos nos abusos e 75% desaprovam a forma como os responsáveis administraram a crise.

Por outro lado, a taxa de chilenos que se declaram católicos continua caindo. Só 46% se consideram católicos, em comparação com 58% há quatro anos. Uma queda que se explica pelo aumento de 8 pontos da porcentagem de não crentes e ateus, de acordo com o estudo.

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