Mãe de Bin Laden diz que ele era 'uma criança boa', e que sofreu 'lavagem cerebral'

Alia Ghanem deu entrevista ao 'The Guardian'

O terrorista Osama Bin Laden teria sofrido uma "lavagem cerebral" quando ingressou na universidade, mudando seu comportamento. A afirmação foi feita por sua mãe, Alia Ghanem em entrevista ao jornal britânico The Guardian, nesta sexta-feira (3). Segundo Ghanem, Osama era uma "criança boa". 

A mãe concedeu a entrevista ao lado de dois irmãos de Bin Laden - Ahmad e Hassan, e do seu segundo marido, Mohammed al-Attas, que o criou desde os 3 anos. 

Segundo Ghanem, que mora na Arábia Saudita, Osama era tímido, mas se tornou uma figura forte enquanto estudava economia na Universidade King Abdulaziz, na cidade saudita de Jeddah. “As pessoas na universidade mudaram ele. Ele se tornou um homem diferente”, disse. Osama conheceu Abdullah Azzam - um membro do grupo radical Irmandade Muçulmana -  na universidade. Ele acabou se tornando o seu conselheiro espiritual.

“Ele foi uma criança muito boa até conhecer algumas pessoas que praticamente fizeram uma lavagem cerebral quando ele tinha seus 20 e poucos anos. Você pode chamar isso de culto. Eu sempre dizia a ele para ficar longe deles, e ele nunca iria admitir para mim o que ele estava fazendo, porque me amava muito”, contou Ghanem.

Ao perceber o que tinha acontecido, a família teria se sentido “extremamente chateada”.“Eu não queria que nada disso acontecesse. Por que ele jogaria tudo fora assim?”, questionou a mãe.

No momento em que a mãe se retirou da sala, durante a entrevista, Ahmad (seu outro filho) contou que ela nega que o filho tivesse alguma culpa nos ataques de 11 de setembro, quando dois aviões sequestrados com passageiros derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, matando cerca de 3 mil pessoas.

“Ela o amava muito e se recusa a culpá-lo. Em vez disso, ela culpa os que o rodeiam. Ela só conhece o lado do bom garoto, o lado que todos nós vimos. Ela nunca chegou a conhecer o lado jihadista”, disse Ahmad, prosseguindo: “Do mais jovem ao mais velho, todos nos sentimos envergonhados por ele.”