Facebook revela novas tentativas de manipulação da informação

O Facebook informou nesta terça-feira (31) que fechou 32 páginas e contas falsas envolvidas em um aparente esforço "coordenado" para alimentar questões polêmicas antes das eleições de meio de mandato americanas de novembro, mas não conseguiu identificar a fonte, apesar de insinuações de que a Rússia estava envolvida.

A empresa disse que as contas de "maus atores" na maior rede social do mundo e em seu site de compartilhamento de fotos Instagram não poderiam estar ligadas diretamente a atores russos, que segundo autoridades americanas usaram a plataforma para disseminar desinformações antes da eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos.

A comunidade de inteligência dos EUA concluiu que a Rússia buscou influenciar a votação a favor de Donald Trump, e o Facebook foi a principal ferramenta nesse esforço, usando anúncios direcionados para aumentar as tensões políticas e impulsionar o conteúdo on-line divisivo.

Trump, agora presidente, subestimou repetidamente os esforços do Kremlin para interferir na democracia dos EUA.

Há duas semanas, ele causou uma tempestade internacional quando esteve ao lado do presidente russo, Vladimir Putin, e lançou dúvidas sobre as alegações de que a Rússia tentou sabotar a eleição.

A apenas três meses das eleições de meio de mandato de 2018, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, anunciou as medidas repressivas de sua empresa.

"Uma das minhas principais prioridades para 2018 é evitar o uso indevido do Facebook", disse Zuckerberg em sua página no Facebook.

"Nós construímos serviços para aproximar as pessoas, e quero garantir que estamos fazendo tudo o que podemos para evitar que alguém os use indevidamente para nos afastar".

Mas a gigante da tecnologia disse que "parte da atividade é consistente" com a da Agência de Pesquisa da Internet (IRA), sediada em São Petersburgo - a fazenda de trolls russa que gerenciou muitas contas falsas no Facebook para influenciar os votos em 2016.

"Encontramos evidências de conexões entre essas contas e contas da IRA anteriormente identificadas, mas não acreditamos que as evidências sejam fortes o suficiente neste momento para fazer uma atribuição pública à IRA", disse Alex Stamps, chefe de segurança do Facebook, durante uma conferência telefônica com repórteres.

"Não podemos dizer com certeza se isto é a IRA com capacidades melhoradas ou uma organização diferente".

O conselheiro especial Robert Mueller, ex-diretor do FBI, está liderando uma ampla investigação sobre uma possível conluio com a Rússia pela campanha de Trump para direcionar os votos ao magnata imobiliário.

Mueller indiciou o grupo russo e 12 pessoas, em sua maioria russas, ligadas à organização.

A rede social informou que está fechando 32 páginas e contas "envolvidas em um comportamento não autêntico coordenado", apesar de que talvez nunca se saiba com certeza que grupo ou país estava por trás delas.

A investigação do gigante da tecnologia está em um estágio inicial, mas foi revelada agora porque uma das páginas estava orquestrando um contra-protesto a uma manifestação de nacionalismo branco em Washington.

Os coordenadores de um evento mortal de supremacistas brancos em Charlottesville no ano passado teriam recebido permissão para realizar uma manifestação perto da Casa Branca em 12 de agosto, no aniversário do encontro de 2017.

O Facebook disse que notificará os membros da rede social que manifestaram interesse em participar do contra-protesto.

- EUA 'não estão fazendo' o suficiente -

O Facebook informou as agências policiais americanas, o Congresso e outras empresas de tecnologia sobre suas descobertas.

"A revelação de hoje é mais uma prova de que o Kremlin continua a explorar plataformas como o Facebook para semear a divisão e disseminar desinformação, e estou feliz que o Facebook esteja tomando algumas medidas para identificar e abordar essa atividade", disse o senador democrata Mark Warner, membro da comissão de Inteligência da câmara alta.

O presidente do painel, o senador republicano Richard Burr, disse estar contente em ver o Facebook dar um "passo muito necessário para limitar o uso de sua plataforma por campanhas de influência estrangeiras".

"O objetivo dessas operações é semear discórdia, desconfiança e divisão", acrescentou. "Os russos querem um Estados Unidos fraco".

Os legisladores dos EUA introduziram várias leis destinadas a aumentar a segurança das eleições.

O senador democrata Chuck Schumer aplaudiu a ação do Facebook e disse que o próprio governo Trump "não está fazendo nem de perto o suficiente" para proteger as eleições.

Algumas das páginas mais seguidas que foram eliminadas incluíam "Resisters" e "Aztlan Warriors".

A página "Resisters" contou com o apoio de seguidores reais para um protesto em Washington em agosto contra o grupo de extrema direita "Unite the Right".

As páginas não autênticas, que datam de mais de um ano, organizaram uma série de eventos no mundo real, e todos, com exceção de dois deles, foram realizados, segundo o Facebook.

A notícia chega apenas alguns dias depois de o Facebook sofrer a maior queda em um único dia do valor de mercado para qualquer empresa, depois de perder as previsões de receita para o segundo trimestre e oferecer projeções de crescimento fraco.

A empresa de Mark Zuckerberg diz que a desaceleração virá em parte devido à sua nova abordagem de privacidade e segurança - que ajudou os especialistas a descobrirem esses chamados "maus atores".