Palestina presidirá G-77 nas Nações Unidas

O chamado Grupo dos 77, bloco das Nações Unidas que reúne países em desenvolvimento e representa 80% da população global, elegeu ontem a Palestina para a presidência da congregação durante o ano de 2019. O cargo, hoje, é ocupado pelo Egito. É a primeira vez que os palestinos dirigirão uma instância da ONU desde que se tornaram um Estado observador da entidade, em novembro de 2012. A decisão foi criticada por Israel. 

O Grupo dos 77, cujo objetivo é promover os interesses econômicos dos países em desenvolvimento e promover a chamada integração Sul-Sul, ou seja, uma alternativa aos blocos poderosos como os Estados Unidos e a Europa, foi criado em 1964 por 77 países, como o nome sugere, e possui voz na Assembleia Geral. Hoje, a instância conta, no entanto, com 135 nações, incluindo o Brasil.

O embaixador da Palestina nas Nações Unidas, Riyad Mansour, declarou ao jornal americano “The New York Times” que sua delegação trabalhará “pelo interesse dos 135 países” do bloco. 

Já o representante de Israel na ONU, Danny Danon, fez duras críticas ao G-77. “É lamentável que o grupo se torne uma plataforma para a disseminação de mentiras. A eleição da Palestina não promoverá os objetivos do Grupo dos 77 e estimulará os palestinos a não se engajarem nas negociações pela paz”, declarou Danon ao “The New York Times”. 

A Palestina assumirá a presidência em janeiro de 2019 em meio à turbulência causada pelo maior aliado de Israel, os Estados Unidos. Depois de reconhecer Jerusalém como a capital israelense, rompendo com um entendimento histórico para a solução do conflito entre judeus e árabes, os americanos deixaram o Conselho de Direitos Humanos acusando o órgão de perseguir Israel.