Delegados de coalizão apoiada pelos EUA negociam com governo sírio

Uma delegação do braço político das Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas por Washington, viajou pela primeira vez para Damasco para discutir o futuro das zonas sob seu controle no norte da Síria - informou uma fonte local nesta sexta-feira (27).

"Uma delegação do Conselho Democrático Sírio faz uma primeira visita oficial a Damasco, a convite do governo" do presidente Bashar al-Assad, disse o copresidente do Conselho, Riad Darar, em Qamishli (nordeste).

"Agimos em favor de uma solução para o norte sírio", acrescentou.

Darar manifestou sua esperança de que as discussões com Damasco sejam "positivas" e insistiu em que não impõem "qualquer condição para negociar".

A delegação curdo-árabe é formada por diferentes líderes políticos e militares de alta patente e escalão.

Após o início do conflito na Síria em 2011, a comunidade curda estabeleceu um governo autônomo nos territórios que se encontram sob seu controle no norte e no nordeste da Síria, regiões de importantes reservas petrolíferas.

Os territórios curdos representam 27% do território sírio, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

As FDS controlam inclusive a cidade de Raqa, a antiga capital do Estado Islâmico (EI) na Síria, reconquistada em outubro de 2017. Também combatem grupos extremistas em Deir Ezzor, com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

No final de maio, Al-Assad ameaçou recorrer à força para recuperar os territórios controlados pelos curdos. Não descartou, porém, chegar a um acordo com as FDS.

"Começamos primeiro a negociar, já que a maioria de seus membros (das forças curdas) é síria. Mas, se isso não funcionar, vamos liberar nossos territórios pela força. Não temos outra escolha", advertiu o presidente sírio.

dls/bek/tp/eb/acc/tt