Colaborador de Macron que atacou manifestantes admite 'erro'

O ex-responsável da segurança de Emmanuel Macron admitiu nesta quinta-feira (16) que "cometeu um erro" ao agredir dois manifestantes em um protesto, mas denunciou que as pessoas que detonaram o escândalo querem "prejudicar" o presidente francês.

"Tenho a sensação de ter cometido uma grande idiotice. De ter cometido um erro [...] nunca deveria ter ido a essa manifestação como observador, e talvez devesse ter permanecido à margem", afirmou Alexandre Benalla, em entrevista ao jornal "Le Monde".

Foi este mesmo veículo que revelou o caso na semana passada, mergulhando o governo Macron em sua pior crise política. Em um vídeo amador, vê-se Benalla, com um capacete e uma braçadeira da Polícia, agredindo dois manifestantes durante um protesto em Paris, em 1º de maio passado, Dia dos Trabalhadores.

As revelações de que a Presidência estava a par do incidente e não informou a Justiça, como determina a lei, levantaram fortes críticas da oposição que viu nisso uma tentativa de acobertar o caso.

Indiciado por violência e usurpação de funções, Benalla disse "assumir" seu ato. "Não estou na teoria conspiratória", afirmou. "Mas, sobre o que aconteceu depois, tenho dúvidas. Havia, em primeiro lugar, um desejo de prejudicar o presidente da República. Disso não tenho dúvida", acrescentou. "Tentaram me atingir (...) e era também uma oportunidade de atingir o presidente", apontou.

Segundo Benalla, "as pessoas que revelaram esse caso estão num nível muito alto (...) políticos e polícia".

- Macron fala

Após seis dias de silêncio absoluto e sob pressão da oposição, Emmanuel Macron resolveu falar na terça-feira à noite, assumindo sua "responsabilidade" pelo escândalo. "O que aconteceu em 1º de maio [...] é grave, sério e, para mim, foi uma decepção, uma traição", declarou Macron, referindo-se àquele que foi, desde a campanha presidencial de 2017, um de seus mais próximos homens de confiança.

Nesta quinta, em conversa com a AFP no sudoeste da França, o presidente mudou um pouco de tom, avaliando que o "caso Benalla" é "apenas uma tempestade em copo d'água".

"Eu disse o que eu tinha a dizer, ou seja, que eu acredito que seja uma tempestade em um copo d'água. E, para muitos, é um tormento", disse Macron a uma jornalista da AFP, antes de se reunir com uma delegação de agricultores.

"Isso não me afeta muito, não se preocupe. Estou com meus concidadãos", acrescentou Macron, que passou cinco minutos na frente da prefeitura de Campan dans les Hautes-Pyrénées (sudoeste) cumprimentando a multidão e, depois, fazendo uma selfie com os escoteiros da França.

Da multidão, alguém gritou "bom dia, Manu!". O presidente respondeu com um sorriso: "ah, não, não me provoque!".

Em 18 de junho passado, em uma polêmica conversa com um adolescente que o chamou de "Manu", Emmanuel Macron deu uma bronca: "você deve me chamar de senhor presidente da República, ou senhor, entendeu?".