Aliança do Pacífico e Mercosul se aproximam em meio a tensões comerciais

A Aliança do Pacífico, formada por México, Peru, Chile e Colômbia, decidiu nesta terça-feira (24) buscar uma maior integração econômica e comercial com o Mercosul, em um contexto de tensão comercial no resto do mundo.

"Decidimos explorar novos caminhos de cooperação para incrementar nossa relação econômica e comercial em áreas de interesse comum", disse o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, durante a apresentação de uma declaração conjunta entre ambos os blocos.

O acordo com o Mercosul - Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai - aconteceu na cúpula da Aliança, realizada no balneário mexicano de Puerto Vallarta.

Peña Nieto destacou que também a aprovação de um plano de ação "para facilitar o comércio de bens, a internacionalização das pequenas e médias empresas, fomentar a economia do conhecimento e gerar mais benefícios para as pessoas em matéria de gênero, mobilidade acadêmica, turismo, cultura e mobilidade de pessoas".

O mexicano esteve acompanhado dos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos; do Chile, Sebastián Piñera; e do Peru, Martín Vizcarra.

Do Mercosul, estiveram presentes Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai e Michel Temer. O vice-chanceler do Paraguai, Federico González e Daniel Raimondi, secretário das Relações Exteriores da Argentina também compareceram.

"Nos encontramos aqui para reafirmar nossa vontade de aprofundar os vínculos comerciais, os investimentos e a cooperação entre esses dois projetos", disse Vázquez, que está com a presidência rotativa do Mercosul.

Os dois blocos começaram a buscar uma maior cooperação desde 2017, em meio às crescentes posturas protecionistas no mundo, em particular nos Estados Unidos, o maior parceiro comercial do México.

O Mercosul visa, por sua vez, a uma maior abertura comercial. Além do pacto com a Aliança do Pacífico, pretende também fechar um acordo de livre-comércio com a União Europeia, um processo de negociação que poderá ser concluído em setembro.

O México busca uma diversificação comercial maior, diante das duras posturas protecionistas dos Estados Unidos, com quem revisa atualmente o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), do qual também faz parte o Canadá.

Na quinta-feira, uma delegação mexicana, que contará com membros do governo eleito no começo do mês, se reunirá em Washington com autoridades americanas para discutir o Nafta.

O interesse por uma maior aproximação entre a Aliança do Pacífico e o Mercosul responde às tensões comerciais no mundo que ameaçam afetar o crescimento econômico, segundo advertiu o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governo de Donald Trump aplicou tarifas alfandegárias ao aço de México, Canadá e União Europeia, assim como a vários produtos chineses, o que gerou uma reação de seus parceiros e o risco de uma guerra comercial.