UE pede à China, Rússia e EUA para 'evitar o caos' de guerra comercial

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu à China, Estados Unidos e Rússia, nesta segunda-feira (16), em Pequim, que "evitem o conflito e o caos", em um momento em que Washington trava uma queda de braço com seus principais sócios comerciais.

"Ainda dá tempo de evitar o conflito e o caos", declarou Tusk durante um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, lembrando que, no passado, as guerras comerciais deram lugar, com frequência, a conflitos abertos.

"Todos estamos conscientes de que a arquitetura mundial está mudando diante dos nossos olhos", afirmou Tusk, lembrando que "o mundo que construímos durante décadas (...) trouxe uma Europa em paz, o desenvolvimento para a China e o fim da Guerra Fria".

"É um dever comum para Europa e China, mas também para Estados Unidos e Rússia, não destruir essa ordem mundial, mas melhorá-la, e não iniciar guerras comerciais que, tão frequentemente, levaram a conflitos abertos em nossa história", acrescentou, horas antes da cúpula dos presidentes russo e americano em Helsinque.

"Por isso, peço aos nossos anfitriões chineses e também aos presidentes Trump e Putin que se comprometam juntos com um processo de reforma completo da OMC (Organização Mundial do Comércio)", insistiu Tusk.

O presidente do Conselho Europeu está em Pequim com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, por ocasião da cúpula anual China-UE.

Os dois se reúnem nesta segunda com o presidente chinês, Xi Jinping.

"Estamos de acordo em dizer que, dadas as circunstâncias internacionais atuais, é importante defender o multilateralismo e o livre-comércio", declarou Li Keqiang.

- 'Novas regras' -

Em Pequim, Tusk pediu aos "nossos anfitriões chineses e também aos presidentes Trump e Putin, que se comprometam juntos com um processo de reforma completo da OMC".

O objetivo de uma possível reforma tem de ser "reforçar a OMC como instituição" e "garantir condições igualitárias de concorrência", afirmou Tusk.

"Precisamos de novas regras em matéria de subvenções no setor industrial, de propriedade intelectual e de transferência de forças de tecnologia, de redução de custos de trocas comerciais, assim como uma nova forma mais eficaz de desenvolvimento e de resolução de controvérsias", completou.

Donald Tusk parece responder, assim, às preocupações de Washington, que acusa Pequim, com frequência, de "transferências forçadas de tecnologia", ao obrigar as empresas americanas que querem vender na China a criar coempresas com sócios locais.

No final de maio, o presidente francês, Emmanuel Macron, já havia proposto novas negociações internacionais para reformar a OMC.

"Proponho uma negociação integrando, a princípio, Estados Unidos, União Europeia, China e Japão, que seria rapidamente ampliada para os países do G20 e da OCDE [Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos], sobre a reforma da OMC", declarou.

A China respondeu de forma positiva a este chamado e disse estar "disposta a trabalhar" com todos os membros da OMC para alcançar regras "mais abertas, mais inclusivas, mais transparentes e não discriminatórias".

"Estamos de acordo em dizer que, dadas as circunstâncias internacionais atuais, é importante defender o multilateralismo e o livre-comércio", declarou o premiê chinês hoje.

Tusk e Juncker se reúnem nesta segunda com o presidente chinês, Xi Jinping.

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